Peixe volta a encarecer (ainda mais…) o cabaz alimentar: há produtos com subidas de mais de 10% em apenas uma semana

Produto que registou a maior subida na última semana foi o carapau, cujo preço passou para 5,12 euros, representando um aumento de 49 cêntimos (mais 11%) face à semana anterior

Executive Digest com DECO PROTeste
Outubro 30, 2025
18:08

O custo do cabaz de Produtos Alimentares Essenciais monitorizado semanalmente pela DECO PROteste voltou a subir esta semana face à anterior. O cabaz, constituído por 63 produtos de categorias como Carne, Congelados, Frutas e Legumes, Laticínios, Mercearia e Peixe, custa agora 243,68 euros, mais 1,44 euros (0,2%) do que na semana anterior.

Segundo o estudo, o peixe, nomeadamente o carapau, os douradinhos de peixe e o atum posta em azeite, foi a categoria de produtos que mais encareceu desde a semana passada. Em termos acumulados desde 1 de janeiro de 2025, destacam-se os aumentos de preço em produtos como ovos, brócolos e laranja, todos acima dos 20%. Seguem-se o café torrado moído, o peru bife, o carapau, o novilho carne para cozer, a massa esparguete, as salsichas Frankfurt e o robalo. Desde o início da análise da DECO PROteste, a 5 de janeiro de 2022, o cabaz sofreu um aumento total de 55,98 euros, o que representa uma subida de 29,82%.

O produto que registou a maior subida na última semana foi o carapau, cujo preço passou para 5,12 euros, representando um aumento de 49 cêntimos (mais 11%) face à semana anterior.

Além do carapau, outros produtos que aumentaram significativamente na última semana foram o douradinho de peixe (10%), o atual posta em azeite e alface frisada (8%), a tomate chucha (7%), os cereais integrais (6%) e a curgete, bolacha Maria e ervilhas ultracongeladas, todos com aumentos de 4%.

Fatores que influenciaram os preços

A escalada dos preços dos alimentos nos últimos três anos está associada a vários fatores. A invasão da Rússia à Ucrânia, principal fornecedora de cereais para a União Europeia, pressionou o setor agroalimentar, que já enfrentava os impactos da pandemia de covid-19 e períodos de seca. A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção — incluindo fertilizantes e energia — refletiram-se na subida dos preços ao consumidor, afetando produtos como carne, hortofrutícolas, cereais e óleos vegetais em 2022.

Em abril de 2023, o Governo português implementou a isenção de IVA num cabaz com mais de 40 alimentos essenciais. Embora inicialmente eficaz, a medida não conseguiu sustentar a descida dos preços a longo prazo, e em 2024, com a reposição do imposto, algumas categorias de produtos continuaram a subir. Em 2025, destacam-se os aumentos nos ovos, café torrado moído e chocolate.

Inflação e impacto no consumidor

A inflação ao consumidor atingiu níveis históricos em 2022, mas o Instituto Nacional de Estatística (INE) indica que no final de 2024 a taxa média anual ficou nos 2,4%, abaixo dos 4,3% de 2023 e dos 7,8% de 2022. Em abril de 2025, os preços voltaram a subir, mas em setembro a inflação abrandou novamente para 2,4%, menos 0,4 pontos percentuais do que em agosto.

Como a DECO PROteste calcula o cabaz

O preço do cabaz semanal é calculado com base nos valores recolhidos diariamente nos principais supermercados com loja online. O processo envolve a determinação do preço médio por produto em todas as lojas e a soma destes preços para calcular o custo total do cabaz. Esta metodologia permite aos consumidores acompanhar a evolução de 63 produtos essenciais, incluindo carne, peixe, hortofrutícolas, laticínios e mercearia.

Os consumidores podem consultar o índice diário de preços de cada supermercado no simulador da DECO PROteste, disponível na plataforma Saber Poupar (www.saberpoupar.pt), pesquisando por distrito, concelho ou tipo de alimento.

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