Passagem de Ano sob alerta: Várias cidades cancelam celebrações devido a receio de atentados. Veja os conselhos de segurança

Às portas da passagem de ano, várias cidades e países em todo o mundo decidiram cancelar, reduzir ou alterar profundamente as celebrações previstas para a noite de Ano Novo, num contexto marcado por receios de atentados, riscos associados a grandes multidões e a necessidade de garantir a segurança da população.

Pedro Gonçalves
Dezembro 30, 2025
12:21

Às portas da passagem de ano, várias cidades e países em todo o mundo decidiram cancelar, reduzir ou alterar profundamente as celebrações previstas para a noite de Ano Novo, num contexto marcado por receios de atentados, riscos associados a grandes multidões e a necessidade de garantir a segurança da população. A decisão surge num ano em que as autoridades internacionais voltaram a alertar para ameaças concretas durante períodos festivos, tradicionalmente associados a grandes concentrações de pessoas.

A preocupação com a segurança ganhou nova dimensão depois de as autoridades norte-americanas terem revelado a existência de um plano de atentado com engenhos explosivos improvisados para a noite de Ano Novo em Los Angeles, que previa ataques em cinco locais distintos. O FBI confirmou a detenção de quatro membros de um gangue relacionados com a conspiração. Paralelamente, na Turquia, as autoridades anunciaram a detenção de 115 pessoas suspeitas de planear ataques ligados ao Estado Islâmico durante as celebrações do Natal e do Ano Novo.

Embora a passagem de ano seja habitualmente associada a fogo de artifício, concertos e festas de rua, os dados mostram que é também um período em que os índices de criminalidade tendem a aumentar. Especialistas em segurança sublinham que os feriados são, por vezes, escolhidos como alvo por permitirem maior impacto psicológico, devido à dimensão dos ajuntamentos e ao simbolismo das datas.

Cidades que cancelaram ou alteraram as celebrações de Ano Novo
Em Bali, o governo da cidade de Denpasar cancelou o espetáculo de fogo de artifício e o concerto previstos para a noite de Ano Novo de 2026, numa decisão tomada em sinal de respeito pelas vítimas recentes de desastres naturais no país. Apesar disso, continuam previstas várias atividades culturais para assinalar a entrada no novo ano.

Em Belgrado, algumas celebrações de Ano Novo e do Ano Novo sérvio, marcado para 14 de janeiro, foram canceladas. O presidente da câmara, Aleksandar Šapić, explicou que não quis colocar crianças em risco durante concertos musicais, recordando que, em anos anteriores, houve tentativas de ultrapassar barreiras de segurança e confrontos junto ao público, composto maioritariamente por adolescentes.

Hong Kong cancelou o tradicional espetáculo de fogo de artifício, substituindo-o por um evento alternativo de contagem decrescente. O governo afirmou que a iniciativa pretende “transmitir energia positiva, cuidado e bênçãos de paz” a residentes e visitantes. Embora não tenha sido apresentada uma justificação oficial, meios de comunicação locais associaram a decisão ao incêndio de Tai Po, que destruiu vários edifícios e provocou pelo menos 160 mortos.

Em Jacarta, o governo provincial confirmou o cancelamento do fogo de artifício de Ano Novo de 2026. O governador Pramono Anung Wibowo explicou que a medida pretende demonstrar empatia para com “os nossos irmãos e irmãs em Sumatra”, afetados recentemente por um sismo de magnitude 6,6, sublinhando que as comemorações serão mantidas, mas de forma mais discreta.

No Mónaco, foram impostas regras excecionais que proíbem a transferência, posse, transporte e utilização de fogo de artifício e artigos pirotécnicos entre o meio-dia de 31 de dezembro de 2025 e o meio-dia de 11 de janeiro de 2026. A decisão baseia-se em preocupações relacionadas com a segurança pública e riscos de incêndio, embora possam ocorrer espetáculos autorizados expressamente pelo Governo.

Em Paris, o concerto previsto para a noite de Ano Novo foi cancelado a pedido da prefeitura da polícia, devido a receios associados à segurança e à possibilidade de tumultos e atropelos, tendo em conta as multidões que habitualmente se concentram nos Campos Elísios. O espetáculo de fogo de artifício, contudo, mantém-se.

Em Sydney, as autoridades cancelaram os eventos de Ano Novo em Bondi Beach, incluindo o espetáculo de fogo de artifício que atrairia cerca de 15 mil pessoas, após o ataque armado ocorrido naquela zona. A Câmara de Waverley confirmou a decisão, justificando-a com a situação no terreno, enquanto os promotores referiram a necessidade de demonstrar “compaixão e cuidado pela comunidade judaica de Sydney”.

Em Tóquio, o tradicional evento de contagem decrescente junto à estação de Shibuya foi cancelado devido a preocupações com as grandes multidões e com o consumo de álcool na via pública, segundo as autoridades locais.

Autoridades alertam para riscos acrescidos durante as festas
Apesar de os dados indicarem que os atentados terroristas no Ocidente são raros e tenham diminuído desde 2007, especialistas recordam que períodos festivos continuam a ser considerados alvos preferenciais. No ano passado, durante as celebrações de Ano Novo em Nova Orleães, um homem lançou um camião contra uma multidão e abriu fogo, provocando 15 mortos. Na Europa, ataques com veículos durante eventos festivos também marcaram cidades como Berlim, onde um atentado num mercado de Natal em 2024 causou cinco mortos e centenas de feridos.

Relatórios citados pelas autoridades norte-americanas indicam que os chamados “lobos solitários” e pequenos grupos continuam a representar a principal ameaça durante grandes eventos, sublinhando que organizações como a al-Qaida e o Estado Islâmico mantêm interesse em atingir celebrações de grande escala. As forças de segurança têm sido instruídas a prestar especial atenção a ataques com veículos.

Como se manter em segurança na passagem de ano
Perante este contexto, especialistas e autoridades deixam recomendações claras para quem planeia participar em eventos de grande dimensão na noite de Ano Novo. Entre os principais conselhos estão a identificação prévia de saídas de emergência e zonas seguras, a permanência em grupo, a vigilância constante de pertences pessoais e a atenção às instruções das forças de segurança e das equipas de organização.

É igualmente aconselhado conhecer a disposição do espaço, localizar postos de primeiros socorros e forças policiais e reportar qualquer comportamento suspeito. As autoridades sublinham que a presença visível de segurança visa dissuadir comportamentos criminosos e aumentar a sensação de proteção, num momento em que muitas cidades optaram por reduzir o número de eventos, mas não eliminar totalmente as celebrações.

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