O julgamento do processo da Operação Marquês, que estava previsto ser retomado às 9h30 desta terça-feira, foi adiado para dia 13. Em causa está a ausência do advogado de José Sócrates, José Preto, que se encontra internado no Hospital de Santa Maria devido a uma pneumonia – o tribunal convocou os quatro advogados oficiosos que estão de escala, mas uma das causídicas renunciou devido ao facto de ser militante do partido Chega.
“Desempenho funções políticas, fui eleita duas vezes vereadora por um determinado partido político, do qual no âmbito dessas funções tenho sido bastante crítica politicamente de todo este processo”, indicou Inês Louro. “Não seria minimamente ético quando se tomam determinadas posições públicas e vir aqui defender a questão na Justiça.”
O tribunal viria a nomear Ana Velho como a nova advogada oficiosa de José Sócrates. “Em consciência, não tenho condições para representar convenientemente o arguido neste processo”, garantiu. Ainda assim, o tribunal deu cinco dias para consultar o processo e voltar ao tribunal no próximo dia 13. “Não são cinco dias que vão chegar para consultar um processo que tem tantos anos e milhares de páginas. Não o vou fazer”, disse a advogada.
O julgamento da Operação Marquês encontra-se suspenso há quase dois meses, na sequência da renúncia de Pedro Delille, advogado que acompanhou José Sócrates durante mais de uma década. A saída do causídico obrigou à interrupção dos trabalhos para permitir a constituição de nova defesa.
José Sócrates, antigo primeiro-ministro de Portugal, é arguido no processo Operação Marquês, um dos mais mediáticos casos judiciais da justiça portuguesa, envolvendo alegados crimes económicos e financeiros.
A decisão sobre um eventual novo adiamento deverá agora depender da avaliação do tribunal quanto à duração previsível do internamento e às condições para assegurar o direito de defesa do arguido.
















