Operação Marquês: Advogado de Sócrates diz que o Ministério Público “não tem hipóteses” e que prescrição é “desculpa de mau perdedor”

Pedro Delile, advogado de José Sócrates, recusa que os mais de 30 recursos apresentados pela defesa do antigo primeiro-ministro sejam responsáveis pela prescrição dos crimes de que estava acusado no âmbito da Operação Marquês.

Pedro Gonçalves
Abril 28, 2023
12:02

Pedro Delile, advogado de José Sócrates, recusa que os mais de 30 recursos apresentados pela defesa do antigo primeiro-ministro sejam responsáveis pela prescrição dos crimes de que estava acusado no âmbito da Operação Marquês.

Segundo o causídico, em entrevista à CNN Portugal, o tema da prescrição é “uma desculpa de mau perdedor “do Ministério Público (MP), que “não tem hipóteses” de levar o caso a julgamento.

“A questão do processo Marquês é que foi criado um embuste pelo MP, e que teve a encenação da detenção em direto, com a CMTV e a SIC, e com a Procuradoria em direto a lançar comunicados ainda antes do arguido ir a juiz. E que é o embuste de que o Engenheiro Sócrates é culpado de corrupção e de uma série de crime, e que vai ou não ser julgado… José Sócrates já foi julgado na instrução por um juiz, que é daqueles que julga durante a instrução, e analisou durante mais de dois anos todas as questões que estavam em causa”, apontou Pedro Delile, referindo-se à decisão instrutória tomada pelo juiz Ivo Rosa.

“Ele explicou em 6500 páginas que não havia indícios [para levar José Sócrates a julgamento]”, considerou o advogado do antigo primeiro-ministro, defendendo que “esta sentença [de Ivo Rosa] absolveu José Sócrates de todos os crimes por que vinha acusado, neste momento até perdeu automaticamente a qualidade de arguido”.

“O que se passa é que inventaram, como perceberam que não têm hipótese, porque não há factos, não há indícios, não há provas. Se não há crime de corrupção não há nada disso [crimes de branqueamento e falsificação de documentos de que Sócrates acabou pronunciado]. A corrupção estava prescrita três anos antes da detenção, defendeu o causídico.

Perante a possibilidade da prescrição dos crimes apontados ao antigo primeiro-ministro, Pedro Delile diz que “é uma desculpa de um mau perdedor, que é o MP”. “Se o MP soubesse perder, reconheciam o embuste que foi feito aos portugueses relativamente à culpabilidade do engenheiro Sócrates. Hoje, pelos vistos, invocam um argumento de que não prescrevem os crimes de branqueamento, que é exatamente o oposto para declarar prescrito o caso Tecnoforma.Nem memória tem de que tem de utilizar o mesmo critério”, lamentou.

Sobre os mais de 30 recursos apresentados pela defesa de Sócrates, Delile diz que “foi porque os tribunais usam outra manobra dilatória que inventaram sobre o sorteio” de juízes.

“Não vou aceitar que os meus clientes sejam julgados por juízes que não sejam escolhidos nos termos em que a lei obriga”, afirma Pedro Delile, que diz não entender “porque é que os juízes recusam ser sorteados” e diz que a culpa da eventual prescrição é da “prorrogação sem conta dos prazos de inquérito”.

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