A Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) de Espanha aprovou hoje a nova proposta do banco BBVA para a compra de ações do Sabadell no âmbito da OPA hostil que está em curso desde 08 de setembro.
Os acionistas do Sabadell têm agora até 10 de outubro para aceitar a proposta do BBVA, depois de a CNMV ter comunicado hoje que estão aprovadas as novas condições.
O BBVA melhorou na segunda-feira a proposta para a compra de ações do banco Sabadell, ambos espanhóis, no âmbito da Oferta Pública de Aquisição (OPA) hostil que está em curso.
O banco basco BBVA oferece agora uma ação sua por cada 4,8376 ações do catalão Sabadell, o que se traduz numa valorização de 10% da proposta anterior.
Até agora, o banco oferecia uma ação nova do BBVA e mais 70 cêntimos por cada 5,5483 ações do Sabadell.
Como a oferta passa a ser integralmente em ações, os acionistas que tiverem mais valias ficam livres de tributação fiscal em Espanha se a aceitação da OPA superar 50% dos direitos de voto do Sabadell, “dado que a operação seria fiscalmente neutra”, destacou ainda o BBVA na comunicação enviada à CNMV na segunda-feira.
Levando em conta os valores no fecho dos mercados financeiros na sexta-feira passada, o BBVA oferecia anteriormente uma ação nova do banco (16,41 euros) mais 70 cêntimos, ou seja, 17,11 euros por 5,5483 ações do Sabadell, as quais, no conjunto, somavam 16,81 euros. O acionista do Sabadell conseguiria, assim, um bónus de 1,8%.
Com a nova proposta, o bónus sobe para 11,8%, uma vez que a proposta é uma ação do BBVA (16,41 euros) por 4,8376 ações do Sabadell (14,65 euros), a par da possível isenção fiscal.
Inicialmente, a OPA terminava em 07 de outubro, mas com esta mudança de condições passa a estender-se até 10 de outubro, a data até à qual os acionistas do Sabadell poderão aceitar a proposta do BBVA.
Num comunicado enviado na segunda-feira à CNMV, o presidente do BBVA, Carlos Torres, afirmou que a nova oferta é “extraordinária, com uma valorização e preços históricos”.
Com a nova proposta, o BBVA “avalia cada ação do Banco Sabadell a 3,39 euros, um valor recorde em mais de uma década”, destacou o banco basco.
Já o presidente executivo do Sabadell, César González-Bueno, reiterou no mesmo dia que a OPA do BBVA é má, apesar da melhoria do preço oferecido, sublinhando que normalmente os bónus alcançam 30%.
“A oferta é má porque é pior inclusivamente que a original que nos fizeram [em maio de 2024]”, disse César González-Bueno.
A OPA hostil do BBVA sobre o Sabadell está em curso desde 08 de setembro e tem como alvo 100% do capital social do Sabadell, composto por 5.023.677.732 de ações.
O BBVA lançou a OPA sobre o Sabadell há mais de um ano, mas só foi aprovda pelo regulador do mercado espanhol em abril passado.
Em 24 de junho, numa decisão inédita, o Governo de Espanha levou a OPA a Conselho de Ministros e estabeleceu que só a autoriza se os dois bancos mantiverem durante três anos personalidades jurídicas, patrimónios e gestões separadas.
O Governo poderá, após três anos, prolongar esta exigência por mais dois.
O executivo justificou a decisão com a necessidade de proteção de princípios de “interesse geral” previstos na legislação espanhola e que disse estarem relacionados com a garantia de financiamento de PME, proteção dos quadros de pessoal, coesão territorial, objetivos de “política social” (como o acesso à habitação ou a atividade das fundações dos dois bancos) e promoção de investimento em investigação e tecnologia.
Bruxelas abriu um procedimento de infração contra Espanha por causa da legislação que permitiu ao Governo condicionar a fusão dos dois bancos.
Em 11 de agosto, o BBVA decidiu avançar com a OPA, apesar das condições impostas pelo Governo.
Se avançar, a fusão dos dois bancos criará uma entidade com perto de um bilião de euros em ativos, 135.462 trabalhadores em todo o mundo (dos quais 19.213 do Sabadell) e mais de 7.000 agências.
Seria dos principais bancos europeus e ultrapassaria o CaixaBank (dono do português BPI) em ativos, posicionando-se como o segundo maior banco de Espanha em ativos.












