ONU ativa pela primeira vez Protocolo de Segurança Planetária: ‘culpado’ é o asteroide YR4

Protocolo de Segurança Planetária consiste num conjunto de mecanismos e diretrizes a serem seguidos para preparar o planeta para um possível impacto de um asteroide

Francisco Laranjeira
Fevereiro 5, 2025
11:39

As Nações Unidas ativaram, pela primeira vez, o Protocolo de Segurança Planetária devido ao receio de um asteroide atingir a Terra: o ‘culpado’ é o YR4, um corpo celeste com cerca de 100 metros de largura e que pode impactar o planeta em menos de sete anos – de acordo com o jornal ‘El Español’, várias autoridades espaciais em defesa planetária já se estão a mobilizar.

O Protocolo de Segurança Planetária consiste num conjunto de mecanismos e diretrizes a serem seguidos para preparar o planeta para um possível impacto de um asteroide. Um dos primeiros passos é reunir o Painel Internacional de Peritos, composto por astrónomos e especialistas espaciais da NASA e da ESA – a ativação só ocorreu devido às últimas estimativas da Agência Espacial Europeia, que aumentaram ligeiramente a probabilidade de impacto com a Terra.

Inicialmente, após a descoberta do 2024 YR4, a estimativa de impacto foi de cerca de 1%. Após uma série de cálculos emitidos pela ESA, essa probabilidade aumentou para 1,6%: além da percentagem, a agência publicou uma data estimada de impacto potencial: 22 de dezembro de 2032.

Tudo começou a 27 de dezembro último, quando a estação do Sistema de Último Alerta de Impacto de Asteroide no Chile contactou o ‘Minor Plane Center’, o centro internacional de troca de informações para medições de posição de pequenos corpos. O sistema detetou um corpo que media entre 40 e 90 metros de largura, apelidado na época como 2024 YR4.

Já naquela época, a probabilidade de impacto do asteroide em questão era estimada em 1%, o que fez com que o 2024 YR4 alcançasse posições importantes nas listas de risco de impacto: o 2024 YR4 conseguiu subir para o terceiro lugar na lista de Turim, que inclui objetos dignos de atenção dos astrónomos.

Os astrónomos alertaram que, à medida que a data do possível impacto se aproximasse, a percentagem poderia mudar, pois a sua órbita seria rastreada com maior clareza. A ESA, por exemplo, aumentou a probabilidade de impacto para um valor superior a 1% em algum momento nos próximos 50 anos. “Portanto, atende a todos os critérios necessários para ativar os dois grupos de resposta a asteroides aprovados pela ONU”, sublinhou a ESA.

Esses dois grupos incluem a Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN), gerida pela NASA, e o Grupo Consultivo de Planeamento de Missões Espaciais (SMPAG) da ESA. Este último grupo é responsáve por coordenar as respostas internacionais a qualquer asteroide que atenda a certas condições, como ter mais de 50 metros de diâmetro e ter mais de 1% de chance de atingir a Terra.

O único asteroide a receber uma classificação mais alta foi o Apophis, que ganhou manchetes em 2004 ao subir uma posição, neste caso para a quarta. Tanto que a ESA anunciou em julho do ano passado o lançamento da Ramses, uma sonda que observaria o satélite Apophis durante a sua trajetória próxima à Terra. Estima-se que no ano de 2029 o Apophis passará a cerca de 32.000 quilómetros do planeta. Em 2004, as estimativas de colisões eram de 2,7%, embora tenha sido rebaixada desde então.

Vale ressaltar que, mesmo em caso de impacto, o asteroide causaria danos enormes, mas isso não levaria à extinção de forma alguma. Em comparação, o asteroide que causou a extinção total dos dinossauros tinha um diâmetro entre 10 e 15 quilómetros. Em qualquer caso, o impacto desta rocha poderia causar danos significativos em escala urbana, com consequências fatais para cidades ou áreas próximas do local de impacto.

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