As famílias portuguesas ultrapassaram oficialmente a troika na lista de credores da dívida pública, revelou esta quarta-feira o ‘Jornal de Negócios’. O aumento expressivo das subscrições de certificados de aforro e outros instrumentos de poupança do Estado fez com que os investidores individuais reforçassem o seu peso no financiamento público, ao mesmo tempo que Portugal continua a reembolsar os empréstimos recebidos durante o resgate financeiro.
De acordo com dados da proposta de Orçamento do Estado para 2026, a estrutura da dívida direta do Estado mostra que o Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF) ainda representa 46,103 mil milhões de euros no final de 2025. No próximo ano, estão previstos reembolsos de 800 milhões de euros ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) e 2,2 mil milhões ao Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF).
Depois de Portugal ter liquidado integralmente o montante devido ao Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida remanescente aos credores europeus da troika corresponderá a 14,4% do total até ao final deste ano, descendo para 13% em 2026.
Por contraste, o peso dos produtos de poupança dirigidos às famílias nunca foi tão elevado. Só os certificados de aforro deverão atingir 12,6% da dívida até dezembro, com o Governo a estimar que o “stock” ultrapasse, pela primeira vez, os 40 mil milhões de euros. Somando certificados do Tesouro e obrigações de rendimento variável, o valor global sobe para 15,1% em 2025 e 14,8% em 2026.
Apesar da subida da Euribor ter afastado a remuneração dos certificados do limite máximo de 2,5%, o interesse dos aforradores mantém-se firme. O Executivo prevê um aumento líquido de 5,5 mil milhões de euros no volume total este ano, elevando-o para 40.278 milhões. Para 2026, o saldo entre novas subscrições e amortizações deverá atingir 3.647 milhões de euros, compensando o recuo noutros instrumentos.
Ainda assim, o principal meio de financiamento do Estado continua a ser a emissão de obrigações do Tesouro (OT), com 15,8 mil milhões de euros líquidos previstos, a que se somam 1,2 mil milhões em bilhetes do Tesouro (BT). As OT representarão 54,1% da dívida total em 2025 e 57,1% em 2026, enquanto a dívida de curto prazo deverá rondar 11% e 10%, respetivamente.
Paralelamente, destacam-se os fundos europeus associados ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que deverão financiar o Estado em 2,5 mil milhões de euros, passando a representar 1,1% da dívida este ano e 1,8% no próximo. Já o programa SURE, criado para mitigar o impacto do desemprego durante a pandemia, pesa atualmente 2% da dívida pública, valor que deverá cair para 1,8% em 2026.














