O robô que será capaz de construir uma civilização em qualquer planeta: a visão de Elon Musk para o futuro

Ideia passa por um humanoide capaz não só de executar tarefas físicas em larga escala, mas também de se replicar e construir infraestruturas em planetas habitáveis

Francisco Laranjeira
Fevereiro 7, 2026
19:00

Pensar para além do imediato é uma constante no discurso de Elon Musk. Entre previsões sobre inteligência artificial, mobilidade elétrica e exploração espacial, o fundador da Tesla volta agora a apontar para um horizonte ainda mais distante: a possibilidade de um robô humanoide criar civilizações fora da Terra.

Segundo o site espanhol ’20 Minutos’, Musk acredita que o Optimus, o robô desenvolvido pela Tesla, poderá vir a desempenhar um papel que até agora parecia reservado à ficção científica. A ideia passa por um humanoide capaz não só de executar tarefas físicas em larga escala, mas também de se replicar e construir infraestruturas em planetas habitáveis.

Um robô inspirado nas máquinas autorreplicantes

O conceito apresentado por Musk remete para a chamada máquina de Von Neumann, uma ideia teórica proposta pelo matemático e físico húngaro-americano John von Neumann. Trata-se de sistemas capazes de se autorreplicar utilizando materiais disponíveis no ambiente onde operam.

De acordo com o ’20 Minutos’, o CEO da Tesla defende que, com apoio de inteligência artificial, o Optimus poderia tornar-se a primeira máquina deste tipo, abrindo caminho à expansão humana para novos mundos e à criação de civilizações fora do planeta Terra.

Impacto económico e produção em larga escala

A confiança de Musk no projeto ficou clara durante a teleconferência de apresentação de resultados da Tesla, onde afirmou que o robô poderá “impulsionar significativamente o PIB dos Estados Unidos”, graças à sua capacidade de trabalhar e produzir de forma massiva.

Essa visão assenta num plano industrial ambicioso: produzir até um milhão de unidades do Optimus por ano na fábrica de Fremont. Para isso, a empresa pondera libertar espaço e recursos com a descontinuação de modelos como o Model S e o Model X, concentrando-se na produção robotizada.

Inteligência artificial no espaço e controlo remoto

A proposta vai além da Terra. Musk defende que o robô possa operar ligado a sistemas de inteligência artificial instalados no espaço, permitindo controlo remoto a partir de qualquer lugar. Nesse cenário, o Optimus receberia instruções, deslocar-se-ia de forma autónoma e poderia replicar-se utilizando os recursos disponíveis no ambiente.

Este plano surge num contexto em que a SpaceX anunciou recentemente a aquisição da xAI, movimento que, segundo Musk, facilita a transferência de parte do desenvolvimento de IA para fora do planeta. O empresário argumenta que os centros de dados atuais consomem demasiada energia para serem sustentáveis apenas na Terra.

O caminho para uma civilização Kardashev II

A ambição declarada passa pela criação de uma vasta constelação de até um milhão de satélites que funcionariam como centros de dados orbitais alimentados por energia solar. Para Musk, este seria um primeiro passo rumo a uma civilização Kardashev II, capaz de explorar toda a energia de uma estrela como o Sol.

A escala de Kardashev classifica as civilizações em três níveis: Tipo I, quando dominam os recursos do seu planeta; Tipo II, quando exploram o sistema solar; e Tipo III, quando alcançam a escala galáctica. A humanidade ainda não atingiu o Tipo I, mas Musk afirma já estar a pensar no passo seguinte.

Entre visão e realidade

Apesar da dimensão do projeto, o histórico de previsões de Musk aconselha prudência. O empresário tem falhado prazos noutras ocasiões, recuando em promessas que pareciam iminentes. Por agora, não é claro quando — ou se — esta visão se tornará realidade.

Ainda assim, segundo o ’20 Minutos’, o Optimus poderá chegar ao mercado num horizonte relativamente próximo, possivelmente dentro de um ano, desde que sejam cumpridos os requisitos de segurança. O futuro dessa possível civilização robótica permanece em aberto, mas a ambição, como é habitual, já foi claramente traçada.

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