O ‘paradoxo Tesla’: marca de Elon Musk tem mais elétricos nas estradas, mas a ganhar cada vez menos dinheiro

As vendas globais aumentaram 7% em comparação com o mesmo período do ano anterior, num ambiente cada vez mais competitivo, especialmente na China e na Europa. Apesar do crescimento, o lucro líquido da Tesla caiu para 1,3 mil milhões de dólares, menos 37% face ao trimestre anterior. A margem operacional melhorou ligeiramente para 5,8%, recuperando da mínima de 2,1% registada no primeiro trimestre de 2025

Automonitor
Outubro 24, 2025
15:54

A Tesla divulgou os resultados do terceiro trimestre de 2025, mostrando um aumento nas entregas globais, mas uma queda acentuada nos lucros, relatou o site especializado francês ‘L’Automobile Magazine’. Entre junho e setembro, o fabricante americano registou 497.099 veículos entregues mundialmente. No entanto, a maior parte dessas entregas concentrou-se nos modelos Model 3 e Model Y, versões de entrada com margens de lucro mais baixas, enquanto os modelos de luxo Model S e X totalizaram apenas 11.000 unidades.

As vendas globais aumentaram 7% em comparação com o mesmo período do ano anterior, num ambiente cada vez mais competitivo, especialmente na China e na Europa. Apesar do crescimento, o lucro líquido da Tesla caiu para 1,3 mil milhões de dólares, menos 37% face ao trimestre anterior. A margem operacional melhorou ligeiramente para 5,8%, recuperando da mínima de 2,1% registada no primeiro trimestre de 2025.

Especialistas apontam que a Tesla beneficiou de um pico de registos de veículos elétricos nos Estados Unidos em setembro, antes do fim do incentivo federal para EV, o que inflacionou temporariamente as entregas do trimestre.

Margens apertadas e concentração de vendas

O Model Y continua a ser o carro mais vendido globalmente da Tesla, refletindo a preferência do mercado por veículos mais acessíveis. No entanto, esta concentração de vendas em modelos de entrada afeta a rentabilidade, já que os veículos mais baratos geram margens menores. Analistas sublinham que, embora as entregas sejam um indicador positivo, os resultados financeiros evidenciam os desafios crescentes da Tesla para manter lucros elevados face ao aumento da concorrência.

A Tesla reconhece que depende cada vez mais de outras fontes de receita além dos veículos. A empresa pretende aumentar os lucros através de software, inteligência artificial e serviços de frotas, em paralelo à produção automóvel. “À medida que continuamos a implementar inovações para reduzir os custos de fabricação e operação, esperamos que os lucros relacionados ao hardware sejam acompanhados por uma aceleração dos lucros provenientes de IA, software e frotas”, indicou a Tesla, em comunicado.

A estratégia reflete a crescente pressão sobre os fabricantes de EV para diversificar receitas, reduzindo a dependência exclusiva de margens automóveis, que enfrentam concorrência intensa, sobretaxas e custos crescentes de matérias-primas.

A apresentação de resultados ficou marcada pela intervenção do CEO Elon Musk, que, segundo a ‘Bloomberg’, interrompeu a sessão para discutir questões pessoais relacionadas com uma reivindicação de 1 bilião de dólares em indemnização, bloqueada por um tribunal de Delaware. O episódio levantou preocupações entre investidores sobre a possibilidade de Musk estar distraído com outros projetos, como a Starlink, em detrimento da gestão da Tesla.

Os resultados do terceiro trimestre mostram que a Tesla enfrenta um dilema comum no setor automóvel elétrico: o crescimento nas entregas nem sempre se traduz em aumento de lucros. A competitividade internacional, especialmente na China e na Europa, aliada à pressão sobre margens nos EUA e à expiração de incentivos fiscais, torna a diversificação de receitas uma prioridade estratégica.

Analistas sugerem que o sucesso futuro da Tesla dependerá não apenas da venda de veículos, mas também da capacidade de expandir receitas de software, serviços conectados e tecnologias de inteligência artificial, que poderão compensar a margem reduzida nos modelos de entrada.

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