O mapa mundial “à moda norte-coreana” que está a deixar o mundo boquiaberto

Coreia do Norte é um dos países mais isolados do mundo, conhecido pelo controlo estrito de informação, restrições severas à liberdade individual e pela narrativa ideológica dominante do Partido dos Trabalhadores

Francisco Laranjeira
Janeiro 17, 2026
13:00

Uma versão alternativa de um mapa-mundial usada ou divulgada na Coreia do Norte surpreendeu utilizadores online e reacendeu o debate sobre perceções cartográficas e narrativas geopolíticas. Segundo a ‘UniladTech’, a representação do globo que circula nas plataformas sociais centra a península coreana no meio do mapa e omitiria a Coreia do Sul — um reflexo simbólico das tensões históricas na região e da forma como o regime de Pyongyang retrata a realidade geográfica e política.

A Coreia do Norte é um dos países mais isolados do mundo, conhecido pelo controlo estrito de informação, restrições severas à liberdade individual e pela narrativa ideológica dominante do Partido dos Trabalhadores. As escolas no país ensinam disciplinas como língua, ciência e matemática, mas com forte ênfase na ideologia estatal e na história da dinastia Kim, consolidando uma visão do mundo que difere da usada internacionalmente.

No mapa em questão, a Coreia do Norte aparece destacada em vermelho e ocupa uma posição central, chegando a englobar simbolicamente a Coreia do Sul, apesar das duas Coreias estarem separadas desde o fim da Segunda Guerra Mundial e da linha de armistício estabelecida em 1953 que hoje constitui a fronteira entre os dois Estados.

A escolha de um centro “asiático” para o mapa desloca outras regiões habitualmente colocadas ao centro nas projeções ocidentais, como o Atlântico Norte. Esta alteração também coloca o Oceano Pacífico numa posição dominante, mudando visualmente relações espaciais entre continentes. Em reações online, alguns utilizadores argumentaram que esta perspetiva pode, em determinados aspetos, fazer mais sentido para quem olha o globo a partir da Ásia, enquanto outros destacaram a ausência ou alteração de certas ilhas e regiões, como partes do Canadá e ilhas do Mediterrâneo — sublinhando como as projeções cartográficas influenciam a nossa perceção do mundo.

O episódio ressalta dois aspetos: por um lado, como representações cartográficas podem refletir narrativas nacionais específicas; por outro, a forma como uma população global cada vez mais conectada pelas redes sociais reage a representações alternativas do globo. A reação online sugere que, independentemente das intenções políticas por detrás do mapa, estes formatos continuam a suscitar curiosidade e discussão sobre geografia, identidade e perspetiva cultural.

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