O fim da ‘guerra do termostato’? Cientistas revelam a temperatura ideal do escritório para aumentar produtividade

Independentemente do grau de harmonia num local de trabalho, há um tema que tende a gerar discórdia constante entre colegas: a temperatura do termóstato.

Pedro Gonçalves
Janeiro 24, 2026
16:00

Independentemente do grau de harmonia num local de trabalho, há um tema que tende a gerar discórdia constante entre colegas: a temperatura do termóstato. Agora, investigadores revelam que existe um intervalo térmico considerado ideal para manter a maioria das pessoas satisfeitas, concentradas e emocionalmente equilibradas — e pode ser ligeiramente mais elevado do que muitos esperam.

De acordo com uma investigação conduzida pela empresa especializada em sistemas de aquecimento doméstico BOXT, os adultos no Reino Unido sentem-se mais felizes, calmos e produtivos quando a temperatura interior se situa nos 21 graus Celsius. Os especialistas designam este ponto como o estado térmico ideal, ou ThermoState, um equilíbrio em que corpo e mente funcionam em sintonia.

Os dados indicam que sair deste intervalo confortável, definido entre 19,5 e 20,6 graus, pode ter efeitos negativos tanto no bem-estar emocional como no desempenho físico e cognitivo. Pequenas variações para cima ou para baixo são suficientes para provocar uma quebra perceptível no humor e na capacidade de concentração.

A psicóloga clínica e especialista em saúde mental Sophie Mort explica que “o ThermoState funciona como um sistema de aquecimento emocional”, sublinhando que a regulação da temperatura “não está apenas ligada ao conforto físico, mas também ao bem-estar psicológico”. Segundo a especialista, a temperatura influencia a memória, o processamento emocional, a resposta ao stress e a sensação geral de relaxamento ou tensão nos ambientes quotidianos. Mort alerta ainda que “mesmo alterações relativamente pequenas no calor interior podem afectar o humor, a energia, a qualidade do sono e a motivação, sobretudo no inverno, quando a resiliência emocional já se encontra sob maior pressão”.

O estudo baseou-se num inquérito a 2.000 adultos britânicos, no qual foi analisada a relação entre temperatura, estado de espírito e produtividade. Os resultados revelam uma curva suave entre calor e humor, com um pico muito estreito onde o conforto e o desempenho atingem o máximo. Fora desse intervalo, tanto o rendimento no trabalho como a satisfação pessoal começam a cair de forma surpreendentemente rápida.

Quando a temperatura desce abaixo dos 17 graus, os investigadores observaram uma diminuição clara do humor e do estado de alerta. A partir dos 16,7 graus, surgem dificuldades acrescidas de concentração e perturbações no sono. Estudos anteriores confirmam estes efeitos, mostrando que a exposição ao frio provoca alterações significativas nas respostas cognitivas, acompanhadas por aumentos da pressão arterial, da frequência cardíaca e da respiração, sinais claros de activação da resposta ao stress do organismo.

Segundo Sophie Mort, quando os ambientes interiores se tornam demasiado frios, “o corpo entra naturalmente em modo de conservação de calor”, o que pode aumentar os níveis de hormonas do stress, reduzir subtilmente o desempenho cognitivo e dificultar a regulação emocional e a concentração prolongada. É por isso que muitas pessoas em espaços frios relatam sentir-se mais tensas, distraídas ou irritáveis.

No entanto, aumentar excessivamente a temperatura não é solução. A partir do momento em que o calor ultrapassa o intervalo ideal, os efeitos voltam a ser negativos. Mort explica que, ao entrar em zonas de sobreaquecimento, “o tempo de reacção e a agudeza mental começam a diminuir, surgindo sensações de fadiga ou inquietação”. Os dados mostram que, acima dos 21,6 graus, o humor e o estado de alerta voltam a cair e, aos 22 graus, muitas pessoas referem maior irritabilidade e comportamentos mais conflituosos. Em temperaturas ainda mais elevadas, surgem sensações de cansaço e lentidão mental.

Investigação adicional indica que ambientes interiores acima dos 24 graus prejudicam o desempenho cognitivo, sobretudo em tarefas que exigem rapidez de processamento, embora o raciocínio complexo seja ligeiramente mais resistente. Ainda assim, a tendência geral aponta para uma degradação progressiva da capacidade mental quando o calor se torna excessivo, o que pode explicar sensações de sonolência e frustração no local de trabalho.

Apesar da existência de um intervalo considerado ideal, os investigadores sublinham que há variações regionais. O inquérito da BOXT revelou que residentes em cidades como Brighton e Glasgow preferem temperaturas até 1,2 graus acima da média nacional, enquanto em Plymouth a preferência recai sobre ambientes cerca de 1 grau mais frescos. Estas diferenças mostram que, embora exista um ponto de equilíbrio comum, a perceção de conforto térmico pode variar ligeiramente de pessoa para pessoa.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.