Um aluno da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL) agrediu violentamente duas professoras e um colega de curso durante um exame de recurso da disciplina de Direito Comercial II, realizado na terça-feira. O ataque ocorreu após o estudante ter sido apanhado com uma cábula e ter visto o seu exame anulado. A faculdade já instaurou um processo disciplinar e aplicou uma suspensão preventiva ao agressor, que terá cerca de 50 anos e estaria a repetir a cadeira pela quinta vez.
De acordo com um comunicado oficial da FDUL, o incidente começou com a identificação de um caso de fraude académica durante a realização da prova. O aluno foi confrontado com a situação e retirado da sala de exame. No entanto, cerca de 15 minutos depois, regressou inesperadamente à sala, exaltado, dirigindo-se à docente que o havia intercetado com a cábula e afirmando, em tom agressivo, que estava há cinco anos a tentar concluir a disciplina e que essa era a sua última oportunidade para terminar o curso.
Segundo relatos recolhidos pela revista Sábado, o aluno começou por atirar objetos à professora e, perante a tentativa de intervenção da segunda docente presente, puxou-lhe o cabelo e empurrou-a, fazendo com que esta batesse com a cabeça no estrado. A professora teve de ser transportada às urgências, com ferimentos resultantes da agressão. A FDUL confirmou que ambas as docentes ficaram “feridas e em estado de choque”.
Durante o ataque, um outro aluno que tentou conter o agressor foi também atacado. O estudante foi mordido no braço, tendo ficado com uma ferida visível e a sangrar. A situação foi rapidamente controlada com a intervenção do segurança da instituição, que reteve o agressor até à chegada da Polícia de Segurança Pública (PSP).
O exame de recurso em causa era determinante para muitos alunos concluírem a disciplina neste ano letivo, agravando o clima de tensão na sala. No caso específico do agressor, tratava-se da última cadeira em falta para terminar a licenciatura, segundo relatos de estudantes citados pelo jornal. A pressão associada a essa circunstância poderá ter estado na origem do comportamento violento, embora a faculdade se recuse a justificar o incidente com qualquer tipo de contexto pessoal.
A Faculdade de Direito garantiu, em comunicado, que foram “imediatamente realizadas todas as participações e diligências, tanto no plano criminal como no plano disciplinar”. Foi aberto um processo disciplinar interno, tendo o aluno sido suspenso preventivamente de todas as atividades académicas. A instituição manifestou ainda solidariedade para com as docentes agredidas e garantiu que se constituirá como assistente no processo-crime.
“A Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa repudia com total veemência qualquer ato de violência no espaço académico e será absolutamente intransigente perante este tipo de comportamentos”, afirma o comunicado.














