Vinhos, enchidos cremes e eletrónica: Os artigos mais roubados em supermercados no verão

O verão tornou-se a segunda estação do ano com maior número de furtos em empresas de grande consumo, concentrando 26% do total anual de ocorrências, apenas superado pelo inverno, que lidera com 35%.

Pedro Gonçalves
Agosto 10, 2025
9:30

O verão tornou-se a segunda estação do ano com maior número de furtos em empresas de grande consumo, concentrando 26% do total anual de ocorrências, apenas superado pelo inverno, que lidera com 35%. De acordo com o Barómetro do Furto na Distribuição Comercial 2024, elaborado pela consultora Nielsen em colaboração com a Aecoc e patrocinado pela Checkpoint Systems, a maioria das cadeias de supermercados registou um aumento ou manutenção do número de furtos face ao ano anterior.

“O furto não se detém no verão, muito pelo contrário: é uma época de exposição crítica para muitas categorias sensíveis”, explicou Alejandro López, responsável pela área de Prevenção de Perdas na Aecoc, citado pelo El Economista. López sublinha ainda que “um pouco mais de metade dos furtos externos são atribuídos a redes organizadas, enquanto dois em cada três são cometidos por reincidentes múltiplos”.

Segundo o relatório, o total de perdas anuais devido a furtos no setor do grande consumo já atinge os 1.856 milhões de euros. Em 2023, cada cadeia de distribuição registou, em média, quase 16 mil incidentes de furto externo, com um prejuízo médio de 80,5 euros por ocorrência.

Alimentação, bebidas e cuidados pessoais lideram os furtos
Os dados revelam que os produtos de alimentação e bebidas continuam a ser os mais visados, representando 43% dos furtos registados durante os meses de verão. Entre os artigos mais furtados destacam-se o vinho, os licores, os enchidos, as conservas fumadas e os óleos alimentares.

A área de higiene e cuidado pessoal também regista perdas significativas, com 31% da “quebra desconhecida” (termo usado para descrever produtos desaparecidos sem registo de venda ou dano). Entre os artigos mais subtraídos nesta categoria estão as cremes faciais, produtos capilares como champôs e tintas para cabelo, e ainda as lâminas de barbear.

Eletrónica e bricolage também são alvo preferencial
No setor do bricolage e utilidades para o lar, os furtos concentram-se sobretudo em pilhas e baterias, um problema sinalizado por 83% das empresas que operam nesta área. A maioria das insígnias identificou um aumento dos incidentes nesta categoria face a anos anteriores.

Já na eletrónica, os smartphones surgem como os artigos mais roubados, seguidos por auscultadores e videojogos. Também aqui se regista uma perceção generalizada de agravamento do fenómeno.

Roupa e calçado com perdas reduzidas, mas visíveis
O setor têxtil representa uma fração menor da perda registada no verão (cerca de 5%), mas continua a apresentar vulnerabilidades. Calçado, camisetas, camisas, calças, vestidos e vestuário desportivo são os itens mais frequentemente furtados nas lojas de vestuário.

Para Alejandro López, os dados demonstram que os furtos no setor não são episódios isolados, mas sim o resultado de “dinâmicas sistémicas e profissionais”. O responsável da Aecoc conclui: “Não se trata de um problema pontual, mas de uma realidade estrutural que afeta todo o canal de distribuição e que exige medidas firmes e coordenadas”.

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