Uma em cada sete vítimas de risco não teve do INEM o socorro exigido em 2024

Dessa forma, para as 148.251 ocorrências prioritárias, houve 127.290 acionamentos dos meios mais diferenciados, o que significa que 20.961 situações não tiveram a intervenção mais especializada

Revista de Imprensa
Setembro 5, 2025
9:50

O INEM deixou quase 21 mil doentes em risco de vida, triados a prioridade máxima, sem o socorro exigido em 2024, avançou esta sexta-feira o jornal ‘Público’, num total de 148.251 ocorrências de prioridade 1 (P1), ou seja, situações graves que “precisam de suporte avançado/imediato de vida”, com envio de meios diferenciados como uma ambulância de suporte imediato de vida (SIV), uma viatura médica de emergência e reanimação (VMER) ou um helicóptero. Assim, uma em cada sete situações de risco não teve resposta à altura

No entanto, apontou o jornal diário, citando o relatório anual de Gestão e Atividades do INEM sobre 2024, nem todas as ocorrências P1 tiveram o correspondente nível de meios de suporte imediato ou avançado de vida. Saíram no ano em questão as ambulâncias SIV em 36.885 ocasiões, as VMER foram usadas em 89.408 situações e os helicópteros levantaram 997 vezes. Dessa forma, para as 148.251 ocorrências prioritárias, houve 127.290 acionamentos dos meios mais diferenciados, o que significa que 20.961 situações não tiveram a intervenção mais especializada. A resposta foi dada por ambulâncias de emergência médica, do INEM ou dos bombeiros, tripuladas por técnicos com menos formação e competências.

Segundo o INEM, a avaliação de cada caso é feita individualmente no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), salientando haver situações que podem influenciar a decisão: por exemplo, se o doente estiver próximo de um hospital, mais vale transportá-lo rapidamente para a unidade hospitalar do que acionar uma VMER que esteja mais longe.

Há 44 VMER em todo o país, bem menos do que as 606 ambulâncias disponíveis no país, muitas das quais ocupadas e também inoperacionais. Há situações também que a evolução clínica da vítima evolui favoravelmente e deixa de se justificar o envio de meios diferenciados.

Os números de falta de socorro diferenciado têm vindo a aumentar nos últimos anos: em 2022, houve cerca de 17.500 casos; em 2023, perto de 19 mil e no ano passado quase 21 mil doentes triados com prioridade mais elevada não receberam o nível de socorro condizente.

Por último, o relatório de atividades do INEM de 2024 salientou as graves carências de meios humanos: havia apenas 1.304 funcionários, menos 709 do que os previstos. A escassez de técnicos de emergência é a mais premente, com 501 em falta, mas a fixação de médicos também é difícil – faltam preencher 26 dos 49 postos de trabalho previstos.

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