Uma em cada 12 crianças no mundo é vítima de exploração ou abuso sexual online, revela estudo

Um estudo recente revela que uma em cada 12 crianças em todo o mundo foi exposta a algum tipo de exploração ou abuso sexual online, sublinhando a urgência de legislações mais eficazes e esforços preventivos para proteger os menores. Os resultados, publicados na revista The Lancet Child & Adolescent Health, abrangem um vasto conjunto de dados recolhidos entre janeiro de 2010 e setembro de 2023.

Pedro Gonçalves
Janeiro 28, 2025
6:45

Um estudo recente revela que uma em cada 12 crianças em todo o mundo foi exposta a algum tipo de exploração ou abuso sexual online, sublinhando a urgência de legislações mais eficazes e esforços preventivos para proteger os menores. Os resultados, publicados na revista The Lancet Child & Adolescent Health, abrangem um vasto conjunto de dados recolhidos entre janeiro de 2010 e setembro de 2023.

Entre as formas de abuso identificadas estão a solicitação online, grooming, exposição a pornografia, sexting indesejado ou forçado, abuso de imagens, extorsão sexual e exploração sexual. “Os estudos analisados mostram uma variação significativa, mas todos apontam para o facto de a internet se ter tornado uma cena do crime, expondo crianças a danos incalculáveis”, afirmou Xiangming Fang, professor associado na Universidade Estadual da Geórgia e autor principal da investigação, em entrevista ao Euronews Next.

Fang expressou preocupação sobre o impacto crescente do acesso à internet e ao uso de smartphones, especialmente em países em desenvolvimento, onde as infraestruturas de proteção são limitadas.

Quando analisadas as experiências ao longo da infância, o número de crianças que relatam ter sofrido algum tipo de abuso online sobe para uma em cada seis, ou 16,6%. Além disso, uma em cada oito crianças relatou ser vítima de abuso de imagens, ou seja, a partilha ou exposição não consensual de imagens e vídeos de teor sexual. Casos de extorsão sexual, que envolvem coerção ou chantagem, foram relatados por uma em cada 28 crianças.

“Estes dados reforçam a necessidade de intervenções direcionadas, incluindo educação, regulação das plataformas digitais e medidas de segurança mais robustas para proteger os menores”, destacou Fang.

Os investigadores também notaram que as taxas de prevalência não diferem significativamente entre rapazes e raparigas, embora o sub-relato e a relutância dos inquiridos em partilhar informações possam levar a uma subestimação da real dimensão do problema.

O estudo evidencia um aumento preocupante na disseminação de conteúdos de abuso sexual infantil online. Segundo a CyberTipline, plataforma norte-americana de denúncias, os relatos de exploração sexual infantil online aumentaram 13% em 2023, comparativamente ao ano anterior, e 23% face a 2021.

Sarah Smith, responsável pelo projeto de inovação na organização de proteção infantil Lucy Faithfull Foundation, sublinhou: “Este estudo confirma o quão disseminada é a exploração e o abuso sexual infantil online e a importância de prevenir o dano antes que aconteça. Cada caso é uma tragédia com consequências que podem alterar vidas.”

Na União Europeia, as plataformas digitais são obrigadas a denunciar casos de abuso infantil online às autoridades. Em 2024, o Europol alertou para os desafios crescentes enfrentados pelas forças policiais devido ao aumento de conteúdos ilegais. Está ainda prevista a criação de um centro europeu para prevenir e combater o abuso sexual infantil.

No entanto, Sarah Smith criticou a abordagem atual das empresas tecnológicas, que se concentram em identificar e remover conteúdos abusivos apenas após o dano ter ocorrido, transferindo a responsabilidade para as crianças. “É claro que isto não está certo”, afirmou, acrescentando que a organização está a desenvolver soluções preventivas.

Os investigadores alertam que o abuso sexual online está associado a consequências graves, incluindo pior saúde mental e física, menor perspetiva de emprego e até redução da esperança média de vida. Contudo, Fang acredita que a exploração sexual infantil online é “prevenível, não inevitável”.

“Se adotarmos uma abordagem de saúde pública focada na prevenção, como fizemos com outras pandemias, podemos enfrentar este problema de forma eficaz”, concluiu.

A dimensão da ameaça exige uma ação coordenada entre governos, plataformas digitais e organizações de proteção infantil, para garantir que crianças em todo o mundo possam navegar na internet em segurança.

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