Transportes públicos em Viseu vão parar este sábado devido a ‘braço de ferro’ entre autarquia e empresa

De acordo com o jornal diário, a empresa Berrelhas, que assegura o serviço de transportes públicos no concelho, garantiu que não tem condições técnicas e financeiras para aceitar o caderno de encargos do ajuste direto proposto pela Câmara Municipal de Viseu

Executive Digest
Fevereiro 25, 2025
13:19

Os transportes públicos em Viseu vão parar já a partir deste sábado, indicou esta terça-feira o ‘Correio da Manhã’.

De acordo com o jornal diário, a empresa Berrelhas, que assegura o serviço de transportes públicos no concelho, garantiu que não tem condições técnicas e financeiras para aceitar o caderno de encargos do ajuste direto proposto pela Câmara Municipal de Viseu.

“A Câmara Municipal de Viseu enganou-nos. Armou-se em salvadora e aprovou um ajuste direto para a continuidade do serviço por um valor de cerca de 9 milhões de euros, para os próximos dois anos, até ser feito novo concurso. Porém, no caderno de encargos, exigiu a compra de quatro novos autocarros para substituir os velhos. E desta forma, com má-fé, não dá para continuar”, apontou fonte da empresa que detém a concessão do MUV (Mobilidade Urbana de Viseu).

O ajuste direto, de nove milhões de euros para dois anos, foi a solução encontrada por ambas as partes depois de ter sido acordada a rescisão do contrato que estaria em vigor até 2029 e que não era benéfico para empresa e autarquia. Esta solução estaria em vigor durante dois anos, até que fosse lançado um novo concurso.

O caderno de encargos para o ajuste direto foi aprovado em outubro de 2024, mas a empresa alegou que só teve acesso ao mesmo a 7 de fevereiro. “Da análise efetuada ao caderno de encargos resulta: a obrigação de realização por parte desta empresa de investimento superior a 500 mil euros no âmbito de contrato com duração nunca superior a dois anos e a impossibilidade de transição para a fase de execução contratual enquanto não se tiverem por verificadas as novas condições técnicas exigidas no caderno de encargos remetido”, esclareceu a empresa, em comunicado.

“Contrariamente ao definido, o convite dirigido a esta empresa determinaria a obrigação de manutenção da execução do serviço de transporte, por período de tempo não determinável, com a consequente manutenção da assunção do prejuízo mensal daí resultante”, apontou.

Segundo a Berrelhas, aceitar estas condições poderia prejudicar “a sua sustentabilidade económico-financeira”, considerando os prejuízos no último ano de quase 2 milhões de euros.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.