Tarifas: AICEP recomenda às empresas que diversifiquem destinos das exportações

A AICEP lançou hoje um estudo para ajudar as empresas exportadoras a lidarem com as tarifas alfandegárias e a posicionarem-se nos mercados internacionais, recomendando que diversifiquem os países de destino das compras de bens e serviços.

Executive Digest com Lusa
Setembro 4, 2025
13:20

A AICEP lançou hoje um estudo para ajudar as empresas exportadoras a lidarem com as tarifas alfandegárias e a posicionarem-se nos mercados internacionais, recomendando que diversifiquem os países de destino das compras de bens e serviços.

No estudo “A Economia Portuguesa em Contexto de Incerteza Mundial: Análise das Dinâmicas Comerciais”, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) analisa o impacto das tensões geopolíticas, das tarifas alfandegárias, em particular as dos Estados Unidos da América (EUA), e o impacto da incerteza no comércio internacional para a economia portuguesa.

A AICEP considera “essencial que as empresas reforcem a diversificação de mercados e consolidem a integração em cadeias de valor regionais”, de forma a enfrentarem as novas tensões e para que as exportações representem 55% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2029, segundo refere num comunicado à imprensa sobre as conclusões da análise.

No estudo, a AICEP afirma que “o incremento da participação nas cadeias de valor globais, não obstante constituir um indicador de dinamismo económico, reforça igualmente a necessidade de Portugal diversificar os seus parceiros comerciais e consolidar as cadeias de valor regionais” e considera essa estratégia “fundamental para mitigar os riscos decorrentes de uma dependência excessiva de mercados específicos e de grandes blocos económicos, como os EUA”.

“As elasticidades comerciais manifestam variações substanciais entre as distintas categorias de produtos, observando-se que determinados bens, nomeadamente a maquinaria, exibem elevada sensibilidade às flutuações de preços, ao passo que outros demonstram menor reatividade”, e “a concentração das exportações e a dependência relativamente ao mercado norte-americano diferem substancialmente entre setores”, indica a agência.

A AICEP salienta ainda que a concentração geográfica das exportações na União Europeia continua a ajudar a “mitigar” uma parte do impacto das tarifas dos EUA.

O documento aponta o setor automóvel e o da maquinaria como áreas expostas ao protecionismo introduzido pelo agravamento das tarifas e identifica “oportunidades estratégicas” noutros setores, como o farmacêutico.

“Caso as tarifas norte-americanas se vierem a aplicar a ‘inputs’ e/ou a bens intermédios que as empresas portuguesas importam dos EUA para os seus processos produtivos, nomeadamente maquinaria, verificar-se-á um aumento dos custos de produção em Portugal”, adverte a AICEP, notando que esta realidade “poderá comprometer a competitividade das exportações portuguesas e dos produtos no mercado interno”.

Em relação ao setor automóvel, a agência sublinha que a indústria se confronta com “desafios de magnitude considerável” atendendo às anunciadas tarifas norte-americanas de 25%.

Quanto ao setor farmacêutico, a AICEP refere que tem “uma presença verdadeiramente notável entre as principais empresas exportadoras para os EUA”.

Uma farmacêutica com presença em Portugal, referida no estudo como tendo um elevado grau de exposição aos EUA, “pode desempenhar funções enquanto centro de fabrico e/ou embalamento” de bens.

“Poderá receber ingredientes farmacêuticos ativos (API) provenientes de outras unidades da mesma empresa localizada no estrangeiro, proceder à sua transformação em produto final (comprimidos, injeções, entre outros), efetuar o respetivo embalamento e, subsequentemente, exportar para outros mercados, incluindo os EUA”, exemplifica a agência.

No estudo, a AICEP inclui uma cronologia dos principais acontecimentos relacionados com as políticas tarifárias dos últimos meses, uma síntese da atual política tarifária norte-americana em vigor até 06 de agosto, a declaração conjunta do acordo EUA-UE de 21 de agosto e a súmula das dos compromissos assumidos pela Administração de Donald Trump.

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