Isabel Schnabel, membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu (BCE), defendeu que não há motivos para reduzir as taxas de juro e avisou que um novo ciclo de aumentos poderá ocorrer “mais cedo do que muitos acreditam”.
Em entrevista à Reuters, a responsável alemã sublinhou que a atual política monetária continua “moderadamente expansionista” e que o risco de inflação permanece elevado devido a fatores estruturais, como a fragmentação da economia global, os maiores gastos fiscais e o envelhecimento da população.
As declarações contrastam com a posição mais cautelosa de outros membros do BCE, que vinham admitindo cortes mínimos nas taxas. Atualmente, a inflação da zona euro voltou a ultrapassar os 2% em agosto, atingindo 2,1%, enquanto a taxa de juro diretora está em 2%. Os mercados atribuem apenas 1% de probabilidade a uma descida das taxas na próxima reunião do banco, marcada para 11 de setembro.
Schnabel rejeita a ideia de que as tarifas comerciais tenham apenas efeitos inflacionários nos Estados Unidos, argumentando que o impacto é global. “Se houver um aumento dos preços dos bens devido às tarifas e isso se propagar pelas cadeias de produção, aumentará as pressões inflacionárias em todo o lado”, afirmou.
A economista também destacou que a inflação alimentar permanece em máximos de mais de um ano, impulsionada por fenómenos climáticos extremos, o que pesa nas expectativas das famílias. Ao mesmo tempo, referiu que o crescimento robusto da procura interna e os planos de investimento público da Alemanha, em particular no setor da defesa, podem aumentar o risco de sobreaquecimento económico.














