PSI fecha ano a crescer ainda mais. Praça de Lisboa valoriza quase 12% em 2023

Apesar da forte volatilidade do ano, a Bolsa de Lisboa terminou 2023 no verde, com um crescimento assinalavelmente superior ao registado no período homólogo.

André Manuel Mendes
Janeiro 3, 2024
11:43

Apesar da forte volatilidade do ano, a Bolsa de Lisboa terminou 2023 no verde, com um crescimento assinalavelmente superior ao registado no período homólogo.

Depois de um crescimento de 2,8% em 2022, a Praça de Lisboa viu disparar a valorização para 11,7% no final de dezembro de 2023, mesmo depois de um ano marcado por forte volatilidade a partir do mês de março.

Contudo, o segundo semestre foi decisivo para o desempenho anual do PSI, depois de ter registado um crescimento de 8,3%.

 

Fonte: Index PSI

O perfil da evolução anual encontra-se na figura seguinte, que evidencia a boa performance dos meses de abril, junho, julho, outubro e novembro.

“Esta variabilidade encontra-se associada aos impactos da dividend season, do ‘arrastamento’ pela espuma de diversas marés vermelhas num contexto de incerteza internacional, das earning seasons e de outras externalidades de âmbito nacional com impacto no mercado de capitais”, explica a Maxyield à Executive Digest.

As sociedades com variação anual positiva são a Mota-Engil (238,5%), o BCP (87,4%), a Ibersol (21%), a J. Martins (14,2%), os CTT (13,3%), a Semapa (8,4%), a GALP (5,8%) %), a Greenvolt (4,2%), a Navigator (2,7%), e a Corticeira Amorim (3,8%).

Por outro lado, as empresas cotadas com quebra na cotação anual são a NOS (-15,4%), EDP Renováveis (-10%), a Altri (-8,1%), a REN (-7,7%),  a Sonae SGPS (-3,3%) e a EDP (-2,2%).

“Esta situação não pode esconder a situação deprimida da cotação de diversas sociedades, designadamente a NOS, a EDP Renováveis, a REN e a Sonae SGPS”, explicam.

A Maxyield explica ainda que a Altri, a Galp, a EDP, a EDP Renováveis e a Greenvolt, que atingiram no decurso de 2023 o nível de bear market, já saíram desta situação, com valorização superior a 20% relativamente ao mínimo atingido.

Assim, o PSI mantém o seu bull market, apresentando um crescimento anual superior aos mercados chinês e emergentes. No entanto, foi inferior ao ritmo de crescimento anual dos índices norte-americanos, europeu e japonês.

 

Comportamento mensal

O PSI terminou o mês de dezembro de 2023 com o valor de 6.396,5 pontos, que significa uma diminuição  mensal de -1,2%, em contraciclo com o crescimento generalizado dos mercados internacionais.

No mês de dezembro, apenas 6 (seis) das sociedades cotadas do PSI tiveram variação mensal positiva, merecendo destaque o desempenho do setor energético. As ações com crescimento mensal foram a Greenvolt (15%), a EDP Renováveis (10,6%), a Mota-Engil (7,2%), a EDP (3,8%), a J. Martins (1,5%) e a Corticeira Amorim (1%).

Por outro lado, o ranking mensal decrescente, das 10 (dez) sociedades com quebra das cotações em dezembro, envolve o BCP (-11%), a NOS (-6%), a Navigator (-5,9%), a REN (-4,5%), a Altri (-3,4%), a Sonae SGPS (-2,6%), a Galp (-2,3%), os CTT (-2%), a Semapa (-1,2%) e a Ibersol (-0,9%).

Outlook bolsista

O PSI ultrapassou em 2022 a histórica periodicidade bianual de bear`s market (2014, 2016, 2018, 2020) e a intermitência anual de variações positivas e negativas.

“O fim do ciclo de subida das taxas de juro, o horizonte temporal de manutenção da política monetária em terreno restritivo, a redução das pressões inflacionistas, a resiliência dos mercados de trabalho e as perspetivas do ritmo de crescimento do PIB nos principais espaços económicos, apontam para a continuação do bull market das bolsas mundiais em 2024, com maior dinamismo no 2º semestre”, antecipa a Maxyield.

Neste contexto internacional, importa ter em consideração, que em regra o comportamento dos mercados bolsistas antecipa o desempenho económico.

Sublinham que a economia portuguesa se encontra sujeita a forte desaceleração do ritmo de crescimento do PIB nacional para 2024 (1,5%) e existem riscos de instabilidade política. Para além disso, sublinham que a regressão da oferta de valores mobiliários a nível do equity fragiliza o mercado bolsista, e que a diminuição do PIB em cadeia no terceiro trimestre de 2023 (-0,2%) não exclui a possibilidade de recessão técnica da economia portuguesa.

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