Pressão de Trump com tarifas de 200% força farmacêuticas europeias a apostar nos EUA

As maiores farmacêuticas mundiais estão a acelerar investimentos nos Estados Unidos para evitar tarifas comerciais punitivas prometidas pela administração de Donald Trump.

Revista de Imprensa
Julho 23, 2025
10:46

As maiores farmacêuticas mundiais estão a acelerar investimentos nos Estados Unidos para evitar tarifas comerciais punitivas prometidas pela administração de Donald Trump. Desde março, dezenas de grupos farmacêuticos – entre os quais Johnson & Johnson, Novartis, Roche, Eli Lilly, Merck e Biogen – anunciaram planos de expansão massivos em território norte-americano, numa tentativa de proteger o acesso ao seu maior mercado. A ameaça: taxas até 200% sobre medicamentos importados, caso não invistam em solo americano num prazo de “um ano, um ano e meio”, segundo o próprio presidente dos EUA.

A Johnson & Johnson, histórica empresa americana com forte presença na Europa, foi uma das primeiras a alinhar-se com a nova política. “Anunciámos investimentos em fabrico, investigação, desenvolvimento e tecnologia de mais de 55 mil milhões de dólares nos Estados Unidos nos próximos quatro anos”, revelou fonte oficial ao Diário de Notícias, sublinhando que tal representa “um aumento de 25% face ao investimento dos quatro anos anteriores”. A farmacêutica vai inaugurar uma nova unidade na Carolina do Norte para a produção de medicamentos de última geração.

Também a suíça Novartis, através da sua filial em Nova Jérsia, confirmou um plano de investimento de 23 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos. O objetivo, segundo a empresa, é garantir que “todos os principais medicamentos da Novartis para doentes americanos sejam produzidos nos Estados Unidos”. O plano inclui sete novas fábricas, num total de dez instalações, e a criação de quase mil empregos.

A tendência está a ganhar força. Esta semana, a norte-americana Biogen, também com presença na Europa e em Portugal, anunciou mais de dois mil milhões de dólares para reforçar a sua produção na Carolina do Norte. Eli Lilly, Roche e Merck já tinham feito anúncios semelhantes. Para o secretário-geral da Confederação Europeia de Empreendedores Farmacêuticos (EUCOPE), Alexander Natz, esta movimentação prova que “os anúncios, embora não juridicamente vinculativos, já fazem parte de uma negociação séria” com a Casa Branca.

O impacto potencial é profundo. O mercado norte-americano representa a maior fatia das exportações farmacêuticas da União Europeia: só em 2024, segundo o Eurostat, foram vendidos mais de 120 mil milhões de euros em medicamentos e produtos farmacêuticos para os EUA, três vezes mais do que as exportações automóveis. Portugal acompanha esta tendência, sendo as vendas farmacêuticas para os EUA o maior negócio nacional nesse mercado, ultrapassando 1,2 mil milhões de euros anuais – mais do que as exportações de combustíveis. Perante este cenário, o líder da EUCOPE deixa um apelo: “A melhor resposta europeia é tornar o nosso ambiente de negócios mais competitivo”.

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