Portugal continua sem um número exato sobre quantos imigrantes vivem atualmente no país, afirmou Pedro Góis, diretor científico do Observatório das Migrações. Segundo o especialista, apenas com a resolução dos casos pendentes na Agência para as Migrações e Asilo (AIMA) será possível ter dados mais atualizados e fiáveis.
Apesar dessa incerteza estatística, Pedro Góis reconhece que o número de estrangeiros em território nacional tem vindo a aumentar nos últimos anos, uma tendência que poderá continuar a crescer antes de estabilizar. “Os imigrantes têm crescido de facto muito nos últimos anos. As nossas estatísticas ainda não enquadram toda a realidade que é acrescentada à população portuguesa. E esse estudo também chama a atenção para isso”, afirmou o especialista em declarações à RTP.
As declarações de Pedro Góis surgem no contexto de um estudo divulgado esta terça-feira pela Cáritas, que aponta para um crescimento significativo dos pedidos de ajuda por parte de imigrantes em Portugal. O relatório alerta ainda para o aumento do número de pessoas em situação de sem-abrigo, incluindo famílias inteiras que acabam por viver na rua devido à falta de condições habitacionais.
De acordo com Pedro Góis, a sobrexploração habitacional é uma das novas realidades que afeta de forma particular os imigrantes recém-chegados ao país, sobretudo aqueles que se fixam nas grandes cidades. “A sobrexploração habitacional é uma nova realidade e que afeta muito os imigrantes recém-chegados, designadamente os que chegam às grandes cidades e tentam ficar perto das suas comunidades. É o caso de algumas zonas já segregadas em Lisboa e Porto”, sublinhou.
Face a esta situação, o diretor do Observatório das Migrações defende a necessidade de implementar políticas públicas mais eficazes para garantir melhores condições de vida e salários dignos para os imigrantes em Portugal. Segundo o especialista, a falta de dados precisos sobre a população estrangeira dificulta a criação de estratégias eficazes para responder aos desafios do acolhimento e integração destes cidadãos.
A indefinição sobre o número exato de imigrantes em Portugal deverá manter-se até que os processos pendentes na AIMA sejam resolvidos, permitindo uma visão mais clara sobre a real dimensão do fenómeno migratório no país. Entretanto, o aumento das dificuldades económicas entre esta população continua a ser um alerta para a necessidade de medidas urgentes de apoio social e habitacional.














