Parlamento Europeu pede a funcionários para usarem exclusivamente mensagens encriptadas, após ciberataques chineses

O Parlamento Europeu recomendou aos eurodeputados, assistentes parlamentares e funcionários que utilizem exclusivamente a aplicação de mensagens encriptadas Signal para comunicações relacionadas com o trabalho.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 13, 2025
16:29

O Parlamento Europeu recomendou aos eurodeputados, assistentes parlamentares e funcionários que utilizem exclusivamente a aplicação de mensagens encriptadas Signal para comunicações relacionadas com o trabalho. A orientação foi transmitida através de um e-mail interno, ao qual o Politico teve acesso, e surge na sequência de ataques cibernéticos atribuídos a um grupo ligado à China.

De acordo com a mensagem enviada internamente, a decisão deve-se ao “recente aumento da ameaça à infraestrutura de telecomunicações comerciais” e a “certos incidentes direcionados a grandes empresas de telecomunicações, principalmente nos Estados Unidos”. O Parlamento Europeu alerta que o risco de “interceção ou manipulação de comunicações não seguras através de redes públicas aumentou significativamente”.

Esta medida surge após a revelação de que um grupo de hackers, conhecido como Salt Typhoon e com ligações à China, realizou intrusões em larga escala em fornecedores de telecomunicações nos EUA e a nível global. Segundo um relatório divulgado na quinta-feira pela empresa de inteligência cibernética Recorded Future, estas violações ocorreram até janeiro deste ano e afetaram operadores em países como Itália e Reino Unido, apesar das sanções impostas pelos EUA.

Signal como alternativa segura
O e-mail interno do Parlamento Europeu reforça que, sempre que possível, os funcionários devem recorrer às soluções corporativas da instituição, nomeadamente as plataformas Microsoft Teams e Jabber. No entanto, quando estas não estiverem disponíveis, a utilização do Signal é recomendada como alternativa segura.

“A utilização do Signal é proposta como uma alternativa segura em casos onde não exista uma ferramenta corporativa equivalente”, afirmou o serviço de imprensa do Parlamento Europeu, acrescentando que não poderia “comentar mais sobre medidas ou ferramentas de segurança e cibersegurança”.

Esta não é a primeira vez que instituições europeias incentivam o uso do Signal para proteger comunicações institucionais. Em 2020, a Comissão Europeia emitiu uma recomendação semelhante aos seus funcionários, apelando à adoção da aplicação devido ao seu sistema de encriptação de ponta a ponta.

A preocupação com a segurança digital não é nova na União Europeia. Em 2023, várias instituições comunitárias proibiram a utilização da aplicação TikTok em dispositivos profissionais, exigindo que os seus funcionários – cerca de 32 mil – removessem a aplicação dos equipamentos institucionais e até dos dispositivos pessoais que tivessem aplicações de trabalho instaladas. A decisão originou medidas semelhantes em diversas capitais europeias.

O Signal é amplamente reconhecido por especialistas em cibersegurança e defensores da privacidade como uma das aplicações mais seguras do mercado, graças à sua tecnologia de código aberto e encriptação de ponta a ponta.

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