O escalar de violência no conflito entre Israel e o Hamas veio desencadear uma onda de grande atividade diplomática, e Putin não quis ficar para trás dos aliados ocidentais de Jerusalém.
A 16 de outubro, o líder russo falou finalmente com o primeiro-ministro israelita Benjamin Natanyahu, mas também com os líderes do Egito, Irão, Síria e Autoridade Palestiniana. Expressou as suas condolências pelos israelitas assassinados, mas não condenou diretamente os ataques do Hamas, assinala o The Economist.
Pedindo um cessar fogo, culpou os EUA pela crise no Médio Oriente, e, no conjunto, fica à vista um distanciamento do Kremlin de Israel e também que o conflito é visto como uma oportunidade de distrair o ocidente e minar a ajuda e apoio à Ucrânia.
Putin, chamado muitas vezes de “grande amigo” por Netanyahu, que visitou a Rússia dezenas de vezes nos últimos anos, tardou nove dias a devolver a chamada do primeiro-ministro Israelita após os ataques do Hamas, a 7 de outubro, o que contratas com a relação próxima e de apoio que os dois têm cultivado, especialmente desde a intervenção Russa na Síria, vizinho de Israel mais instável. Recorde-se também que Natanyahu resistiu em criticar a Rússia pela invasão da Ucrânia e não forneceu armas a Kiev, apesar dos sucessivos apelos.
Se por um lado, há potencial grande afinidade entre Rússia e Israel, por outro o apoio russo ao nacionalismo palestiniano permaneceu sem mudanças desde a era soviética e também a proximidade com Netanyahu não impediu Putin de também apoiar o Irão, regime mais anti-israelita no Médio Oriente.
Não há até agora indicação de que a Rússia tenha ajudado diretamente o Hamas no seu ataque contra Israel, mas o Kremlin mantém relações de amizade com o grupo apoiado pelo Irão desde que chegou ao poder em Gaza, em 2006, e até líderes do Hamas foram recebidos na Rússia.
Também a proximidade da Rússia com o Irão, que forneceu drones a Moscovo, e que agora ajuda o regime a fabricar os seus próprios aparelhos, para serem usado na guerra na Ucrânia, ajudou a arrefecer as relações com Israel.
Putin poderá não desejar um conflito entre Irão e Israel, mas certamente não se importa que a guerra contra o Hamas se intensifique e se espalhar para outros países do mundo árabe, já que ajudaria a desviar (ainda mais) as atenções do ocidente para com a guerra na Ucrânia.
Seriam dois os principais benefícios de um alargamento do conflito, para a Rússia e para o Irão.
Primeiro, o aumento dos preços do petróleo e gás que se seguiriam ajudaria as duas economias em declínio, dando a Putin mais fundos para financiar a invasão à Ucrânia.
Em segundo lugar, permitiram perturbar os planos dos EUA no Médio Oriente, tal como o Hamas já serviu interesses russos e iranianos, ao adiar indefinidamente o acordo de paz entre Israel e Arábia Saudita.
Também a China, aliado cada vez mais próximo de Putin, ficaria feliz em ver os EUA, principal concorrente comercial, ‘atrapalhados’ no Médio Oriente e com a sua autoridade desafiada, que permitiria ao Kremlin ‘adoçar a boca’ a Xi Jinping.














