Alexander Lukashenko há muito que vê os voluntários bielorrussos a lutar na Ucrânia como uma ameaça ao seu Governo – rotulando-os como terroristas e perseguindo-os onde quer que eles vão: de acordo com a publicação ‘Kyiv Post, a recente extradição do soldado bielorrusso Vasil Verameichyk do Vietname refletiu a determinação do regime de caçar e punir aqueles que ousam desafiá-lo.
Verameichyk, que serviu numa unidade de voluntários bielorrussos que lutava ao lado das forças ucranianas, foi raptado no Vietname em novembro de 2024 e extraditado para a Bielorrússia. “A extradição de Vasil Verameichyk é uma consequência direta das políticas repressivas do regime de Lukashenko, que continua a atacar oponentes e a estender a sua repressão além das fronteiras da Bielorrússia”, acusou Sviatlana Tsikhanouskaya, a principal líder da oposição bielorrussa.
Na Bielorrússia, foi obrigado a confessar planos inventados sobre uma incursão ao país, alegando que o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) estava ativamente envolvido numa conspiração secreta para invadir a Bielorrússia com a ajuda do Ocidente. Não é caso único: o regime de Lukashenko deixou claro que os combatentes bielorrussos na Ucrânia serão perseguidos, não importa onde estejam no mundo. O Governo de Lukashenko identificou cerca de 160 bielorrussos a participar nos combates na Ucrânia.
Para Minsk, esses soldados representam uma ameaça dupla: são símbolos vivos de resistência – bielorrussos que escolheram lutar contra o imperialismo russo em vez de se submeter ao Governo de Lukashenko. Depois, a sua experiência de combate e as ligações com aliados ocidentais os tornam líderes potenciais de futuras revoltas contra a ditadura bielorrussa. O regime teme que esses voluntários possam um dia regressar e desempenhar um papel na queda de Lukashenko.
“O caso de Vasil destacou a vulnerabilidade dos voluntários bielorrussos. Não têm proteção social e legal suficiente do Governo ucraniano, e nenhum outro Governo pode apoiá-los ou ajudá-los enquanto o regime bielorrusso caça pessoas como Vasil em todo o mundo”, apontou Pavel Slunkin, investigador do Conselho Europeu de Relações Exteriores. ““Infelizmente, quando não há um país para proteger indivíduos como ele, há um sério risco de que a KGB bielorrussa ou o FSB russo interfiram — e o façam da sua maneira monstruosa.”
O receio de Lukashenko só se aprofundou conforme se tornou cada vez mais dependente da Rússia, permitindo que a Bielorrússia sirva como plataforma de lançamento para a guerra de Moscovo contra a Ucrânia. De acordo com o ‘Institute for the Study of War’, a anexação pela Rússia está a aproximar-se do seu estágio final, marcando o ápice de um esforço de décadas do Kremlin para absorver o seu vizinho. Essa mudança aumentará permanentemente as capacidades militares e económicas da Rússia, fortalecendo a sua capacidade de perseguir ambições imperialistas contra a Ucrânia, a NATO e os Estados Unidos.














