Estado apoiava líder de rede internacional de tráfico de droga com pensão da Segurança Social

‘Nini’ foi detido em fevereiro último pela Polícia Judiciária do Porto e está acusado de tráfico agravado, ameaça agravada, detenção de arma proibida e branqueamento

Revista de Imprensa
Setembro 2, 2025
9:05

Carlos C., o cérebro de uma sofisticada rede de tráfico de droga com ligações a Portugal, Espanha e Brasil, recebia apoios do Estado, nomeadamente pensão da Segurança Social, revelou esta terça-feira o ‘Jornal de Notícias’: ‘Nini’ foi detido em fevereiro último pela Polícia Judiciária do Porto e está acusado de tráfico agravado, ameaça agravada, detenção de arma proibida e branqueamento.

Segundo a acusação, desde fevereiro de 2022 que ‘Nini’, de 51 anos, comprava cocaína, heroína e cannabis no estrangeiro para transportar para Portugal, distribuir e vender. O ‘Portuga’, como também era conhecido, residia com a ex-mulher, Michele B., num divórcio de fachada para separar os bens de ambos caso a sua atividade de traficante fosse denunciada. A mulher, empresária com vários negócios, era um auxílio importante na operação de tráfico: segundo o Ministério Público, usava os seus estabelecimentos para armazenar droga e controlar pagamentos.

‘Nini’, entre 2020 e 2023, recebeu da Segurança Social 5.602,14 euros, sendo que o Ministério Público apontou ao casal um património incongruente de 250 mil euros. Michele B. adquiriu, em 2022, uma moradia em Gondomar, por 190 mil euros, com valor patrimonial de pouco mais de 73 mil. Investiu 40 mil euros na renovação, pagando em dinheiro vivo aos fornecedores.

A acusação das autoridades portuguesas relatou que, em fevereiro de 2022, foram armazenados entre 20 e 40 quilos de cocaína numa lavandaria de Michele B., que acabaram por ser roubados, o que levou a ameaças, confrontos violentos e tiroteios, sendo que Carlos C. viria a ser atingido numa perna. Em 2023, ‘Nini’ tentou importar do Brasil 40 quilos de cocaína, avaliados em mais de 800 mil euros, mas não conseguiu recuperar o carregamento. Em 2024, mais 90 quilos de cocaína, escondidos no fundo de caixas com bananas, para o porto de Leixões: a carga ficou comprometida devido à putrefação das frutas e intervenção das autoridades.

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