O grupo Nestlé terá exercido pressão sobre altas instâncias francesas, incluindo o Governo de Emmanuel Macron e a Presidência da República, para garantir que fosse realizada a purificação de águas minerais conhecidas, como a Vittel ou Perrier, fosse feita com microfiltros proibidos pelas autoridades de saúde.
Emmanuel Macron já reagiu ao escândalo avançado pelo jornal ‘Le Monde’ e ‘Radio France’, negando qualquer “entendimento” ou “conivência” com a Nestlé: no entanto, o Palácio do Eliseu reconheceu que houve contactos com o gigante alimentar, o maior produtor mundial de água engarrafada.
O escândalo remonta há vários anos e está a ser objeto de investigação parlamentar: a Nestlé já concordou em pagar uma multa de 2 milhões de euros em setembro último para escapar a um processo judicial após uma ação movida pelo Oenegé Foodwatch.
O uso de microfiltros não autorizados nas fontes exploradas pela Nestlé na região de Los Vosgos (nordeste) e Vergèze (sul), em França, fez com que a Agência Nacional de Segurança Alimentar suspeitasse de que a água “não fosse microbiologicamente saudável”. No entanto, a agressiva campanha de lobby da Nestlé, que terá ameaçado com a perda de empregos nos seus centros de produção, conseguiu tornar-se uma exceção à norma.














