Portugal é atualmente o país do mundo com o maior número de novos casos de covid-19 por milhão de habitantes. Hoje, registou mais 14.647 infeções e 219 mortes por covid-19, dois novos máximos, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde.
No entanto, tal como Espanha, Portugal mantém as escolas abertas, uma decisão do Governo, que considera que o “custo social” de as encerrar é “superior”. A decisão foi anunciada pelo primeiro-ministro, António Costa, na última quarta-feira. Enquanto anunciava as medidas que iriam vigorar no novo confinamento obrigatório, Costa informou as escolas iam continuar a funcionar “em pleno funcionamento”.
Porém, a medida tem sido amplamente criticada. Vários especialistas e também a Federação Nacional de Professores (Fenprof) querem as escolas encerradas durante o confinamento. “A Fenprof considera que, enquanto durar um confinamento que se pretende geral, as escolas não podem continuar a ser exceção e também deverão encerrar, contribuindo, dessa forma, para travar e inverter o rumo da pandemia”, disse o secretário-geral da federação sindical, Mário Nogueira.
O presidente da Associação de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, pede também o encerramento das escolas, já que estas não existem “fora da sociedade”. Diz o responsável que, numa altura como estas, importa sobretudo “dar ouvidos à ciência e determinar o fecho dos estabelecimentos de ensino”, tendo em conta o aumento exponencial de infeções que hoje se verifica.
A secretária de Estado da Educação, Inês Ramires, assegurou hoje que o Governo avaliará a cada momento a evolução da situação epidemiológica no país e tomará as “medidas necessárias”, compreendendo o “medo frente aos números” de casos.
Ontem, o primeiro-ministro já admitiu a possibilidade de encerrar os estabelecimentos de ensino se a pandemia se agravar, nomeadamente, se a estirpe inglesa se tornar dominante em Portugal. “Se amanhã soubermos, se para a semana soubermos, se daqui a 15 dias soubermos que a estirpe inglesa se tornou dominante no nosso país, vamos ter de fechar as escolas”, disse no debate no Parlamento. “Aí farei o que tenho de fazer”, sublinhou.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou ontem que vai reunir com os especialistas para avaliar a possibilidade de alterar ou não o funcionamento atual das escolas. Em comunicado divulgado no site da Presidência da República, Marcelo indicou que haverá nova sessão de “reflexão com os especialistas acerca de outras temáticas, como as respeitantes ao ano letivo em curso” já dentro de uma semana.
De acordo com a Unesco, da lista de países com mais casos nos últimos sete dias, só Espanha mantém as escolas abertas, tal como Portugal. Importa ainda referir que a situação epidemiológica em Espanha não está tão má. Na zona de Madrid, as escolas estiveram fechadas desde a semana passada por causa da neve, mas reabrem hoje.
Na Europa, a República Checa tem as escolas parcialmente abertas desde que 2021 começou. Já o Reino Unido e a Eslovénia têm os estabelecimentos de ensino encerrados desde o início do ano, para contrariar a tendência crescente do número de casos. Também é o caso da Alemanha e da Irlanda.
A chanceler alemã, Angela Merkel, disse na altura que fechar as escolas era um “grande desafio” para pais e alunos. “Fomos forçados a fazê-lo, para não perdermos de vista o nosso objetivo”, sublinhou. Também o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, explicou que “a propagação do vírus chegou ao ponto de ter de parar o máximo de mobilidade possível”, incluindo as instituições de ensino.
Além de Portugal e Espanha, só países com uma situação epidemiológica mais controlada mantêm as escolas abertas. É o caso de França, Bélgica, Suíça, Croácia, Noruega e Estónia.














