Coleção de moedas mais cara do mundo está em leilão, depois de ter sido proibida (e escondida…) durante um século

Aquando da morte do magnata dinamarquês Lars Emil Bruun, em 1923, o seu testamento tinha uma ordem curiosa

Francisco Laranjeira
Agosto 27, 2024
7:30

Aquando da morte do magnata dinamarquês Lars Emil Bruun, em 1923, o seu testamento tinha uma ordem curiosa: a sua vasta coleção de moedas, notas e medalhas, acumulada durante mais de seis décadas, deveria ser mantido como reserva de emergência para a coleção nacional da Dinamarca, caso esta fosse destruída – um século volvido, se tudo estivesse bem, o valioso espólio poderia ser vendido para beneficiar os seus descendentes.

Assim, em setembro, o primeiro conjunto de moedas da coleção pessoal de 20 mil peças da coleção de Bruun vai a leilão: serão necessárias várias vendas para esvaziar o lote. No entanto, uma vez concluída, de acordo com a ‘Stack’s Bowers’ (negociante de moedas raras e casa de leilões que sedia as vendas), vai ser a coleção de moedas internacionais mais cara alguma vez vendida. A coleção LE Bruun foi segurada por 500 milhões de coroas dinamarquesas, ou cerca de 72,5 milhões de dólares (cerca de 64,7 milhões de euros), na coleção que foi descrita como a “coleção mais valiosa de moedas do mundo a chegar ao mercado”.

A localização da coleção do numismata, no último século, era um mistério conhecido por poucos: no entanto, Bruun acreditou que esconder o seu tesouro era uma causa nobre – após a destruição que viu na I Guerra Mundial, temeu que a Coleção Real dinamarquesa de Moedas e Medalhas pudesse um dia enfrentar bombardeamentos ou saques, de acordo com a casa de leilões.

Bruun começou a colecionar moedas quando era criança, em 1859, quando o seu tio morreu e o nomeou entre os destinatários de algumas das suas moedas, de acordo com o catálogo de vendas. Filho de estalajadeiro e proprietários de terras, descobriu, na casa dos 20 anos, que a sua herança familiar havia sido desperdiçada e estava atolado em dívidas.

Começou então o seu próprio negócio de manteiga com um empréstimo, eventualmente ganhando uma fortuna com vendas e exportações. Com a sua riqueza, tornou-se um prolífico colecionador de moedas e foi um membro fundador da Sociedade Numismática Dinamarquesa em 1885.

“O lado bom de colecionar moedas é que quando se está chateado com alguma coisa ou se sente inquieto, então olha-se para as suas moedas, ou se acalma a estudá-as repetidamente, ponderando sobre os muitos problemas não resolvidos que elas apresentam”, destacou Bruun, a uma revista dinamarquesa. “As pessoas que são exclusivamente devotas aos seus negócios cometem um grande erro. Eu, por exemplo, nunca poderia imaginar pensar em nada além de manteiga até aos meus últimos dias.”

Para a primeira venda, a 14 de setembro, a Stack’s Bowers oferecerá mais de 280 lotes que incluem moedas de ouro e prata da Dinamarca, Noruega e Suécia, datadas do final do século XV até os últimos anos da vida de Bruun – estão avaliadas em mais de 10 milhões de dólares, sendo que o lote estrela é uma das moedas de ouro mais antigas da Escandinávia, de acordo com o catálogo, uma nobre do rei Hans datada de 1496, que pode ser vendida por até 600 mil euros.

“Sem dúvida, a minha peça favorita na venda é o nobre de ouro de 1496 do rei Hans, que foi rei da Dinamarca e da Noruega sob a União de Kalmar, bem como da Suécia por um breve período. É importante em muitos níveis — é a primeira moeda de ouro cunhada pela Dinamarca, é a primeira moeda datada cunhada pelo reino dinamarquês e é única em mãos privadas”, referiu Matt Orsini, diretor de numismática mundial e antiga da Stack’s Bowers Galleries.

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