Carris garante que inspeções ao Elevador da Glória estavam em dia “e sem qualquer falha”

As declarações foram feitas numa conferência de imprensa convocada após o descarrilamento do Elevador da Glória, que provocou 16 mortos e mais de 20 feridos na tarde de quarta-feira, em Lisboa.

Pedro Gonçalves
Setembro 4, 2025
16:41

O presidente da Carris, Pedro de Brito Bogas, garantiu esta quinta-feira que os elevadores e ascensores da empresa municipal “nunca estiveram sem manutenção” e que as inspeções periódicas “se mantiveram sem qualquer falha”. As declarações foram feitas em conferência de imprensa, convocada na sequência do descarrilamento do Elevador da Glória, ocorrido na quarta-feira em Lisboa, que provocou 16 mortos e mais de 20 feridos.

Pedro Bogas começou por lamentar as vítimas da tragédia, sublinhando a “eficiência e a resposta do dispositivo de apoio que permitiu salvar vidas”. O responsável agradeceu a atuação rápida das equipas de emergência e assegurou que a Carris está a prestar apoio às vítimas e famílias.

Confrontado sobre a fiabilidade da manutenção, Bogas esclareceu que o contrato em vigor foi assinado a 20 de agosto com a empresa Main Maintenance Engineering (MAIN), que assegura o serviço desde 2019. “As inspeções periódicas mantiveram-se sem qualquer falha”, afirmou, reforçando que “do lado da Carris avaliámos e parece-nos que foram bem efetuadas”.

O presidente recordou ainda que, em 2022, a MAIN voltou a vencer concurso público para assegurar os trabalhos. Este ano, em 2025, foi lançado novo procedimento, com atualização do preço-base de 995 mil euros para 1,2 milhões de euros. “Mesmo assim não foram apresentadas propostas abaixo do preço base e o concurso ficou deserto”, explicou.

Face a esse impasse, Bogas revelou que foi celebrado um contrato por ajuste direto com a MAIN, válido por cinco meses, para garantir que os equipamentos não ficavam sem manutenção. “Esse tempo permitirá lançar um novo concurso público, que será aberto já neste mês”, garantiu.

Para apurar responsabilidades, a Carris abriu um inquérito interno que contará com o apoio de um consultor externo. Todos os ascensores e elevadores sob gestão da empresa foram entretanto suspensos, até serem submetidos a novas inspeções por entidades independentes.

O presidente reafirmou que as conclusões sobre a causa do acidente cabem a peritos e técnicos credenciados. “Isso será apurado no âmbito do inquérito. Do nosso lado, avaliámos e parece-nos que as inspeções foram bem feitas”, declarou.

Bogas destacou ainda que a Carris tem vindo a aumentar o investimento em manutenção não apenas nos elevadores e ascensores históricos, mas também nos elétricos e autocarros. “Esse investimento está à vista com os números que acabei de indicar”, frisou.

Segundo o responsável, os três contratos celebrados com a MAIN — em 2019, 2022 e o de agosto de 2025 — registaram valores crescentes, refletindo o reforço do orçamento para a manutenção.

O descarrilamento do Elevador da Glória aconteceu na quarta-feira ao final da tarde, a meio do percurso entre os Restauradores e o Jardim de São Pedro de Alcântara. O acidente provocou 16 mortos — 15 confirmados no local e um em hospital — e mais de 20 feridos, incluindo turistas de várias nacionalidades.

Na sequência da tragédia, o Governo decretou um dia de luto nacional.

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