“Ninguém levará uma Europa fraca a sério”: UE precisa de se unir ou estará “acabada”, alerta PM polaco

Numa publicação nas redes sociais, Tusk, um centrista pró-europeu, alertou que a Europa não será levada “a sério” se estiver “fraca e dividida: nem inimiga nem aliada”

Francisco Laranjeira
Janeiro 5, 2026
12:31

O primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, deixou um alerta grave sobre o futuro da Europa esta segunda-feira, avisando que o continente estará “acabado” sem união, isto na sequência de uma semana marcada por divergências nas posições dos países da UE em relação à política externa.

Numa publicação nas redes sociais, Tusk, um centrista pró-europeu, alertou que a Europa não será levada “a sério” se estiver “fraca e dividida: nem inimiga nem aliada”.

“Agora já está claro. Precisamos finalmente acreditar na nossa própria força, precisamos continuar a armar-nos, precisamos permanecer unidos como nunca antes”, disse. “Um por todos e todos por um. Caso contrário, estamos perdidos.”

O alerta de Tusk surgiu depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, ter renovado as suas ameaças de assumir o controlo da Gronelândia, o território autónomo dinamarquês que há muito está na agenda do presidente americano. “Precisamos da Gronelândia por questões de segurança nacional”, disse o líder americano este domingo.

“Vamos tratar da Gronelândia daqui a uns dois meses. Vamos falar sobre a Gronelândia daqui a 20 dias”, acrescentou, sem dar mais informações sobre o que queria dizer.

Essas declarações surgiram após os EUA lançarem ataques contra a Venezuela e prenderem o seu líder, Nicolás Maduro, numa ousada operação noturna. A dramática operação aumentou os receios na Europa de que Washington pudesse tentar uma tomada de controlo da Gronelândia, levando a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, a emitir uma severa repreensão.

A resposta da UE à intervenção dos EUA na Venezuela tem sido um tanto variada. Kaja Kallas apelou à “moderação” numa declaração que obteve o apoio de 26 países membros, com exceção da Hungria.

A Espanha, por sua vez, rompeu com a UE e juntou-se a cinco países latino-americanos numa declaração muito mais contundente, criticando o ataque de Washington à soberania da Venezuela e pedindo que os recursos naturais do país não sejam explorados.

Embora a maioria dos países membros da UE tenha emitido declarações cautelosas, instando ao respeito pelo direito internacional, a Itália adotou um tom mais favorável, considerando a ação militar “legítima contra ataques híbridos de segurança”.

Mas o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, foi implacável, afirmando que a incursão dos EUA na Venezuela era “mais uma prova do colapso da ordem mundial”, e numa publicação no ‘Facebook’ esta segunda-feira, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, disse que “a ordem mundial liberal está em desintegração”.

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