Não, não é o frio que causa doenças no inverno. Este é o verdadeiro culpado

O ar frio e seco prolonga a sobrevivência dos vírus no ambiente, permitindo que permaneçam infecciosos por mais tempo

Francisco Laranjeira
Janeiro 25, 2026
18:30

Muitas pessoas acreditam que sair sem casaco ou ser exposto ao frio leva diretamente a constipações ou gripes. No entanto, pesquisas modernas mostram que a relação entre temperaturas baixas e doenças respiratórias é mais complexa: o frio não gera vírus, mas cria condições que aumentam o risco de infeção.

Constipações e gripes são provocados por vírus, como o rinovírus ou o vírus da influenza, transmitidos de pessoa para pessoa por gotículas respiratórias ou contacto direto. Apesar disso, as infeções respiratórias aumentam durante o inverno, especialmente em regiões temperadas, devido a uma combinação de fatores biológicos, ambientais e comportamentais.

O ar frio e seco prolonga a sobrevivência dos vírus no ambiente, permitindo que permaneçam infecciosos por mais tempo. Além disso, gotículas respiratórias evaporam rapidamente, formando partículas menores que permanecem suspensas no ar e aumentam a probabilidade de serem inaladas por outras pessoas.

Como o frio afeta o corpo

Inalar ar frio reduz a temperatura do nariz e das vias aéreas, provocando vasoconstrição, que diminui o fluxo sanguíneo nos tecidos e enfraquece a resposta imunológica local. Isso compromete a capacidade do corpo de eliminar vírus antes que causem infeção.

O frio e o stress relacionado a ele também podem dificultar o funcionamento normal das vias respiratórias, especialmente em pessoas com problemas como asma ou rinite alérgica. A exposição prolongada ao frio pode, portanto, amplificar os efeitos de infeções respiratórias, embora não seja a causa direta.

Fatores comportamentais e ambientais

No inverno, as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados, muitas vezes lotados e mal ventilados, favorecendo a transmissão de vírus. A menor exposição à luz solar reduz a produção de vitamina D, essencial para o sistema imunológico, enquanto o ar aquecido dentro de casa tende a ressecar o muco, enfraquecendo a primeira linha de defesa das vias respiratórias.

Juntos, esses fatores criam um cenário propício para a propagação de resfriados e gripes, mas não significa que apenas sentir frio vá causar doença.

Estratégias de prevenção

Para reduzir o risco de infeção durante o inverno, especialistas recomendam:

– Melhorar a ventilação e a circulação do ar em ambientes fechados.

– Manter a humidade adequada, evitando que o ar resseque demais.

– Fortalecer o sistema imunológico, incluindo manter níveis adequados de vitamina D.

– Concentrar mensagens de saúde pública na transmissão de vírus por contacto e gotículas, e não no frio em si.

As baixas temperaturas não provocam infeções por si mesmas. Elas funcionam como um amplificador de risco, moldando o ambiente biológico, social e ambiental que facilita a sobrevivência e disseminação de vírus respiratórios. Compreender essa distinção ajuda a explicar por que as constipações e a gripe atingem seu pico durante o inverno e orienta medidas preventivas mais eficazes.

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