Musk defende megacentral solar na Península Ibérica para garantir eletricidade para toda a Europa

Durante uma conversa pública com Larry Fink, presidente da BlackRock, Musk sustentou que uma infraestrutura solar com algumas centenas de quilómetros quadrados seria suficiente para abastecer todo o continente europeu

Francisco Laranjeira
Janeiro 23, 2026
11:28

Elon Musk defendeu no Fórum Económico Mundial de Davos que a Europa poderia garantir toda a sua eletricidade a partir de uma única grande central solar instalada em zonas pouco povoadas de Espanha ou da Sicília. O empresário americano afirmou que a tecnologia necessária já existe e que o principal obstáculo não é técnico, mas político e estratégico.

Durante uma conversa pública com Larry Fink, presidente da BlackRock, Musk sustentou que uma infraestrutura solar com algumas centenas de quilómetros quadrados seria suficiente para abastecer todo o continente europeu. Segundo o ’20Minutos’, o fundador da SpaceX sublinhou que exemplos semelhantes já existem na China, onde centrais solares produzem anualmente cerca de 540 gigawatts, demonstrando que o cenário é tecnicamente viável.

Espanha e Sicília como eixo da soberania energética europeia

A referência direta à Península Ibérica marcou uma das passagens mais relevantes da intervenção. De acordo com o ‘El Mundo’, Musk argumentou que áreas rurais pouco povoadas de Espanha apresentam condições semelhantes às de regiões desérticas dos Estados Unidos, como Nevada, Utah ou Novo México, onde seria possível gerar eletricidade suficiente para abastecer países inteiros com uma ocupação territorial reduzida.

O empresário lamentou, contudo, que a expansão destas soluções esteja condicionada por barreiras tarifárias e pela forte dependência da produção chinesa de painéis solares, o que encarece artificialmente os custos no Ocidente. Para mitigar essa dependência, revelou que equipas da Tesla e da SpaceX estão a trabalhar, de forma independente, na criação de capacidade industrial para fabricar até 100 gigawatts de energia solar por ano nos Estados Unidos.

Robôs humanoides em massa e impacto social

Além da transição energética, Musk traçou um cenário de rápida aceleração da automação. Segundo explicou em Davos, a inteligência artificial deverá tornar-se mais inteligente do que qualquer ser humano individual já no início da próxima década, sem que isso signifique a obsolescência das pessoas.

Citado pelo ’20Minutos’, o empresário afirmou que, até ao final do próximo ano, a Tesla começará a vender robôs humanoides ao público, depois de estes já estarem a executar tarefas simples nas fábricas da empresa. Na sua visão, haverá mais robôs do que pessoas, com impacto direto na assistência a idosos, num contexto de envelhecimento demográfico e escassez de cuidadores.

“Todos vão querer um”, afirmou, referindo-se a tarefas como o cuidado de animais de estimação ou de pessoas dependentes, acrescentando que este período representa “o momento mais interessante da história da humanidade”.

Inteligência artificial, envelhecimento e vida extraterrestre

Questionado sobre o envelhecimento humano, Musk explicou que nunca foi um objetivo central da sua investigação revertê-lo, embora acredite que, no futuro, será possível desacelerar esse processo. Advertiu, no entanto, que uma sociedade onde as pessoas vivem indefinidamente poderia estagnar, sem renovação geracional.

Sobre inteligência artificial, reiterou que, por volta de 2030 ou 2031, esta deverá ultrapassar qualquer ser humano em capacidade cognitiva global. Já no registo mais descontraído que marcou parte da sessão, o empresário voltou a falar da possibilidade de vida extraterrestre, afirmando, em tom irónico, que se existirem extraterrestres na Terra, “o mais provável é ser ele próprio”, arrancando risos à plateia.

Marte como horizonte final

A intervenção terminou com uma referência ao seu velho objetivo de viajar para Marte. Musk reconheceu que a duração da viagem, cerca de seis meses em cada sentido, continua a ser assustadora, mas reiterou o desejo de chegar ao planeta vermelho. Segundo o ‘El Mundo’, deixou uma frase que resumiu o seu pensamento estratégico e pessoal: gostaria de morrer em Marte, mas não num acidente espacial.

Para Musk, a aceleração da transição energética para a energia solar é um pré-requisito essencial para a sobrevivência e expansão da civilização humana, num processo em que regiões como a Espanha rural poderão desempenhar um papel central ainda por explorar.

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