O Dia dos Namorados celebra-se este sábado, 14 de fevereiro, data que milhões de casais em Portugal e no mundo associam ao amor romântico. Mas quem foi, afinal, São Valentim? E porque é que esta celebração ocorre precisamente neste dia? A história mistura lenda, religião e tradições pagãs que atravessaram séculos até chegarem à forma como hoje conhecemos o Dia de São Valentim.
A origem mais conhecida remonta ao século III, no Império Romano, durante o reinado do imperador Cláudio II. Segundo a tradição, o imperador proibiu o casamento entre jovens soldados, acreditando que homens solteiros seriam melhores combatentes. Um padre chamado Valentim terá desobedecido à ordem, realizando casamentos cristãos em segredo. Descoberto, foi preso e condenado à morte.
A lenda acrescenta um detalhe romântico: enquanto estava na prisão, Valentim terá desenvolvido uma ligação com a filha do seu carcereiro e enviado uma carta assinada “do teu Valentim”, expressão que sobrevive até hoje. A execução terá ocorrido a 14 de fevereiro do ano 270. Em 495, o Papa Gelásio I canonizou Valentim e instituiu a data como sua festa litúrgica, consolidando a associação entre o santo e os enamorados.
No entanto, esta não é a única explicação para a origem do Dia dos Namorados. Alguns historiadores apontam para raízes ainda mais antigas, nas festividades pagãs da Roma Antiga. Entre 13 e 15 de fevereiro realizavam-se as Lupercais, celebrações em honra de Luperco, divindade associada à fertilidade e à proteção. Durante os rituais, sacerdotes percorriam as ruas de Roma em cerimónias simbólicas ligadas à fecundidade, numa época do ano tradicionalmente associada ao renascimento da natureza.
Já na Idade Média, a ligação entre 14 de fevereiro e o amor romântico ganhou nova força. Na Inglaterra do século XIV difundiu-se a crença de que esta data marcava o início da época de acasalamento dos pássaros. A partir daí, tornou-se comum os apaixonados trocarem poemas e declarações de amor. O costume espalhou-se pela Europa, incluindo França, onde figuras como Carlos d’Orleães terão contribuído para popularizar as cartas amorosas.
Ao longo dos séculos, o Dia dos Namorados evoluiu e ganhou novos símbolos. A troca de cartões decorados com corações e cupidos tornou-se tradição. As rosas vermelhas passaram a representar paixão intensa, enquanto outras cores assumiram significados próprios: branco para pureza, amarelo para amizade. Chocolates, perfumes e jantares românticos reforçaram o caráter comercial da celebração.
Hoje, o 14 de fevereiro é também uma data estratégica para diversos setores económicos. Floristas, pasteleiros, joalheiros e restauração apostam em ofertas especiais para conquistar os consumidores. Ainda assim, por detrás do marketing e das campanhas promocionais, subsiste uma herança histórica que atravessa séculos, entre mártires cristãos, rituais pagãos e tradições medievais.
O Dia dos Namorados é, assim, o resultado de múltiplas camadas culturais. Entre história e mito, fé e romantismo, a celebração continua a reinventar-se, mantendo viva a associação entre o mês de fevereiro e a declaração de sentimentos.









