Morte do Papa Francisco reacende antiga profecia sobre o “último Papa” e o fim da Igreja

A inesperada morte do Papa Francisco, aos 88 anos, veio reacender o interesse por uma profecia com quase mil anos que, segundo crentes e estudiosos, poderá prever não apenas o seu sucessor, mas também o fim do papado e o regresso de Cristo.

Pedro Gonçalves
Abril 27, 2025
14:00

A inesperada morte do Papa Francisco, aos 88 anos, veio reacender o interesse por uma profecia com quase mil anos que, segundo crentes e estudiosos, poderá prever não apenas o seu sucessor, mas também o fim do papado e o regresso de Cristo. Trata-se da chamada Profecia dos Papas, atribuída a São Malaquias, arcebispo irlandês do século XII.

O manuscrito, que teria sido redescoberto nos arquivos secretos do Vaticano, contém 112 frases enigmáticas em latim, cada uma supostamente alusiva a um papa, desde Celestino II, eleito em 1143, até uma figura final conhecida como “Pedro, o Romano”, prevista para 2027 — o ano que alguns acreditam coincidir com o Juízo Final.

O regresso da profecia após a morte de Francisco
O Papa Francisco faleceu na segunda-feira de Páscoa, vítima de uma hemorragia cerebral, segundo revelaram os jornais italianos La Repubblica e La Stampa. O pontífice, que sofria de problemas respiratórios desde fevereiro, celebrou a missa pascal no domingo anterior à sua morte, saudando fiéis em plena Praça de São Pedro.

Com a sua partida, inicia-se agora o processo canónico do Conclave, no qual os cardeais com menos de 80 anos se reúnem em Roma para eleger o novo líder da Igreja Católica. Este processo deverá ocorrer entre 15 a 20 dias após a morte do pontífice.

Porém, mais do que o habitual debate sobre quem será o próximo Papa, o mundo católico volta-se agora para a centenária Profecia dos Papas, cujo último nome profetizado — “Pedro, o Romano” — está, segundo muitos, prestes a concretizar-se.

“Pedro, o Romano”: o último Papa e o fim de Roma
A profecia culmina com uma declaração inquietante: “Na última perseguição da Santa Igreja Romana reinará Pedro, o Romano, que apascentará o seu rebanho em meio a muitas tribulações. Após estas, a cidade das sete colinas será destruída, e o Juiz terrível julgará o povo. Fim.” — Profecia dos Papas, atribuída a São Malaquias.

Este último papa, segundo o texto, liderará a Igreja num tempo de grande tribulação, que culminará na destruição de Roma e no Juízo Final. Crentes mais fervorosos veem neste cenário o prenúncio da Segunda Vinda de Cristo — que, segundo a tradição cristã, ocorrerá para julgar os vivos e os mortos.

O facto de haver atualmente três cardeais de nome Pedro entre os principais candidatos ao trono de São Pedro — Peter Erdő (Hungria), Peter Turkson (Gana) e Pietro Parolin (Itália) — aumentou a especulação. Ainda mais porque alguns associam o próprio Francisco ao “Pedro romano”, dada a origem italiana do seu nome de batismo: Jorge Mario Bergoglio di Pietro.

Profecia genuína ou falsificação do século XVI?
A autoria da profecia tem sido alvo de intenso debate académico. São Malaquias teria recebido a visão durante uma visita a Roma em 1139, mas o texto apenas foi tornado público em 1595 pelo monge beneditino Arnold de Wyon. Críticos sustentam que, até ao século XVI, as descrições dos papas são tão específicas que sugerem terem sido escritas a posteriori — ou seja, forjadas com base em factos já conhecidos.

Contudo, há frases posteriores que continuam a alimentar o mistério. Uma das profecias descreve o papa como “a glória da oliveira” (Gloria Olivae), o que muitos acreditam ter sido uma referência precisa a Bento XVI, que pertencia à ordem Olivetana. Outra menciona “o eclipse do sol”, interpretada como uma alusão ao nascimento de João Paulo II durante um eclipse solar.

Estas e outras coincidências têm dado novo fôlego à tese de que a profecia poderá, de facto, conter revelações autênticas sobre o futuro da Igreja.

A contagem regressiva para 2027
Se os crentes tiverem razão, 2027 marcará o fim do ciclo papal e o possível Juízo Final. Esta ideia baseia-se numa interpretação cronológica que coloca o “meio da profecia” no ano de 1585, aquando da eleição do Papa Sisto V — precisamente 442 anos depois do primeiro papa citado por Malaquias. Prolongando-se esse período mais 442 anos, chega-se ao fatídico ano de 2027.

Esta cronologia foi recentemente destacada num documentário lançado em 2024, o qual se debruça sobre a frase “eixo no meio de um sinal”, atribuída a Sisto V e considerada o ponto médio da profecia.

Reações e simbolismos históricos
A influência da profecia tem sido notória em diversos momentos da história da Igreja. Em 1958, por exemplo, antes do conclave que elegeria João XXIII, o cardeal norte-americano Francis Spellman chegou a fretar um barco com ovelhas e a navegar pelo rio Tibre, em Roma, em alusão ao lema “pastor et nautor” (pastor e navegante) atribuído ao próximo papa pela profecia.

Hoje, entre a comoção pela morte de Francisco e a expectativa quanto ao novo líder, não são poucos os que se perguntam se, desta vez, o antigo manuscrito se cumprirá até ao fim.

Enquanto isso, fiéis e curiosos por todo o mundo seguem atentos ao próximo conclave, que poderá não apenas decidir o futuro da Igreja Católica, mas — segundo alguns — anunciar o início de um novo capítulo da humanidade.

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