O primeiro-ministro considerou hoje que a clareza interna no PSD é um eixo fundamental para a estabilidade governativa e política, numa alusão à decisão de convocar “diretas” para a liderança do seu partido em maio próximo.
“A clareza [nos partidos do Governo] é um eixo fundamental da estabilidade”, sustentou Luís Montenegro, em resposta aos jornalistas, em São Bento, no final de uma reunião do Conselho de Ministros que foi presidida por Marcelo Rebelo de Sousa, que cessa funções como Presidente da República na segunda-feira,
Na quarta-feira à noite, Luís Montenegro, na qualidade de presidente do PSD, propôs que as eleições diretas no seu partido se realizem em maio para que “não haja qualquer dúvida”. E adiantou que quem tiver “caminho diferente e alternativo” deve apresentar-se — uma afirmação que foi interpretada como um desafio dirigido ao antigo primeiro-ministro social-democrata Pedro Passos Coelho.
Confrontado com as mais recentes intervenções críticas de Pedro Passos Coelho ao atual Governo, o primeiro-ministro começou por sustentar a tese de que o seu executivo “assegura a estabilidade política no cumprimento e ao abrigo da Constituição, da lei e do seu comportamento em termos executivos”.
Porém, de acordo com Luís Montenegro, estas “garantias” que o Governo pretende dar ao país “também devem advir da estabilidade dos partidos que compõem a coligação que suporta o Governo” no parlamento, o PSD e o CDS.
“Nesse campo, os partidos têm regras, têm calendários que devem ser observados, independentemente das circunstâncias governativas e é isso que acontece no partido do primeiro-ministro”, apontou.
Neste contexto, Luís Montenegro acentuou que o PSD “tem um calendário de discussão e debate interno que é também, de alguma maneira, um contributo para a estabilidade, porque é sempre uma oportunidade de clarificação”.
“E a clareza é também um eixo fundamental da estabilidade”, concluiu.
Após várias intervenções de Pedro Passos Coelho críticas para o Governo nas últimas duas semanas, Luís Montenegro anunciou no Conselho Nacional do PSD, na quarta-feira, que pretende a realização de eleições diretas para a liderança já em maio e desafiou quem propõe um caminho diferente a apresentar-se a votos, numa referência implícita ao antigo primeiro-ministro.
Montenegro defendeu que o partido “não pode ter dúvidas” sobre o “caminho reformista” do atual Governo, ainda que aceite todos os “incentivos à mudança”, uma das expressões utilizadas pelo antigo líder do PSD Passos Coelho.
Montenegro disse até admitir que os adversários, sejam eles “partidos políticos ou alguns intervenientes na cena mediática”, possam “desvalorizar ou diminuir o impacto, o alcance e até a profundidade” do que o Governo PSD/CDS-PP está a fazer.
“Será mais estranho, será mesmo um equívoco gigante, que sejamos nós a ter dúvidas sobre isto”, disse.
Nas últimas semanas, multiplicaram-se as intervenções de Pedro Passos Coelho no espaço público, várias em tom crítico para o Governo, em que o tema comum foi a necessidade de o país fazer reformas.
O ex-líder do PSD também não excluiu um regresso à vida partidária, mas avisou que, se tal acontecer, “não será pelas melhores razões” e defendeu que deveria ter sido tentado um acordo de legislatura com o Chega e IL.
Pedro Passos Coelho tem prevista uma nova intervenção na sexta-feira na Universidade do Porto com o tema “Instabilidade e Volatilidade Política”.
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