MEO e Vodafone lideram corrida pela fiabilidade das redes móveis em Portugal, revelam dados da Ookla

As operadoras de telecomunicações portuguesas estão a reforçar os investimentos na modernização da rede para consolidar a sua posição num mercado cada vez mais competitivo, impulsionado pela entrada de novos players no mercado.

André Manuel Mendes
Outubro 14, 2025
9:47

As operadoras de telecomunicações portuguesas estão a reforçar os investimentos na modernização da rede para consolidar a sua posição num mercado cada vez mais competitivo, impulsionado pela entrada de novos players no mercado.

A empresa romena Digi tem conquistado clientes com pacotes flexíveis e de baixo custo, pressionando as margens e forçando os operadores tradicionais a diferenciarem-se pela fiabilidade e resiliência da sua infraestrutura.

A estratégia da DIGI baseia-se num acordo de roaming próprio, que mantém a concorrência centrada no preço, em vez da cobertura. Esta abordagem tem levado as operadoras estabelecidas — MEO, Vodafone Portugal e NOS — a apostar fortemente na infraestrutura como vantagem competitiva. O apagão na rede ibérica no início deste ano evidenciou a importância da resiliência: a limitada autonomia energética e a fraca redundância geográfica da rede da DIGI resultaram em menor desempenho, segundo dados da Ookla.

Para reforçar a fiabilidade, as operadoras estão a investir na diversificação do uso do espectro, na densificação da cobertura e na implementação do 5G Standalone (SA). Uma análise independente conduzida pela RootMetrics, com base em testes realizados no primeiro semestre de 2025, permitiu quantificar o desempenho das redes móveis nacionais em Lisboa, Porto, Madeira, Açores e ao longo de uma rota nacional de mais de 9.500 quilómetros, envolvendo cerca de 110 mil amostras recolhidas em cenários interiores e exteriores.

A MEO e a Vodafone destacam-se na liderança da fiabilidade. A MEO beneficia de uma cobertura abrangente em banda média e baixa, o que garante maior taxa de sucesso de acesso e tempos de configuração de chamadas mais rápidos, além de lhe ter valido o prémio de “Melhor 5G” com base nos dados do Speedtest®. Já a Vodafone assume a dianteira em latência de acesso e fiabilidade de vídeo nas principais cidades, sustentada por uma agregação avançada de operadoras e uma infraestrutura de núcleo mais robusta.

A NOS aposta na expansão do 5G SA, com particular incidência nas áreas urbanas. Em Lisboa, 56% das amostras já utilizam esta nova arquitetura de rede, em comparação com apenas 9% a nível nacional. A estratégia baseia-se na utilização intensiva da banda média de 3,5 GHz e numa redução significativa da latência, o que se traduz em ganhos de desempenho e experiência de utilização mais consistente.

Já a DIGI apresenta uma rede assente numa banda média estreita, com forte dependência dos 2,6 GHz e ausência de banda baixa. Esta configuração limita o alcance e a fiabilidade da rede, ainda que os tempos de configuração de chamadas sejam competitivos com os da MEO. Contudo, o tempo em 5G continua substancialmente abaixo do registado pelos operadores tradicionais em todas as regiões analisadas.

As disparidades regionais de desempenho mantêm-se evidentes, com a Madeira e os Açores a registarem resultados mais fracos devido à menor densidade de rede e à forte dependência da banda baixa para cobrir terrenos acidentados. Nestes territórios, a menor presença de 5G implica mais transições entre gerações de rede, aumentando o risco de falhas e atrasos, agravados por percursos de tráfego mais longos até aos gateways no continente.

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