Mega pacote de estímulos da UE corre o risco de estagnar, alerta Alemanha

“Observamos com preocupação que o número de diferentes bloqueios nas negociações do orçamento parece estar a aumentar em vez de diminuir”, disse o porta-voz da presidência alemã.

Sónia Bexiga

O orçamento histórico de 1,8 biliões de euros da União Europeia (UE) e o pacote de estímulo correm o risco de serem atrasados devido a um desacordo entre os Estados membros sobre como fazer cumprir os valores democráticos, de acordo com um porta-voz do governo alemão.

“Observamos com preocupação que o número de diferentes bloqueios nas negociações do orçamento parece estar a aumentar em vez de diminuir”, disse o porta-voz da presidência alemã da UE, citado pela ‘Bloomberg’.



“Um atraso no orçamento da UE e no fundo de recuperação está a tornar-se  cada vez mais provável”, reforçou.

O pacote de recuperação económica, que inclui 750 mil milhões de euros em dívida conjunta e um orçamento comum da UE de 1,07 biliões de euros, tem como objetivo ajudar a combater a recessão mais acentuada da história do bloco e precisa da aprovação de todos os países membros. Mas as nações não conseguem chegar a um acordo sobre como garantir que o dinheiro não será ‘desviado’ dos seus fins em países “onde os freios e contrapesos democráticos são fracos”, aponta.

A Alemanha, que detém a presidência rotativa do bloco, ofereceu uma proposta esta semana que suspenderia os pagamentos do orçamento se uma maioria ponderada das nações avaliasse uma violação do estado de direito. Mas o projeto foi rejeitado pela Hungria e pela Polónia, com o primeiro-ministro polaco Mateusz Morawiecki a considerar tratar-se de uma “chantagem política” disfarçada de preocupação pelos valores democráticos.

Os diplomatas da UE estiveram reunidos hoje e voltam a reunir amanhã, quarta-feira, em Bruxelas, para tentar chegar a um acordo com base na proposta alemã. “Estamos a lidar com um debate muito polarizado”, disse o porta-voz da presidência alemã após a reunião desta terça-feira.

Os governos húngaro e polaco prometeram lutar contra o projeto, sendo que estes dois países são os únicos dois estados membros que estão atualmente sujeitos a investigações formais do estado de direito da UE.

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