Mau tempo vai fazer subir preço dos alimentos já nos próximos dias

As tempestades que atingiram o país em janeiro e fevereiro estão a causar fortes prejuízos na agricultura, na pecuária e na logística, com impacto direto no valor dos alimentos.

Revista de Imprensa
Fevereiro 14, 2026
11:39

De acordo com o Jornal de Notícias, o preço do cabaz alimentar monitorizado pela Deco Proteste tem vindo a subir de forma consecutiva desde o final de 2025. Esta semana, o conjunto de 63 produtos essenciais atingiu o valor mais elevado dos últimos quatro anos, fixando-se nos 253,43 euros.

Segundo explicou ao JN Nuno Pais de Figueiredo, porta-voz da Deco Proteste, o aumento começou em meados de dezembro de 2025 e culminou agora num valor sem precedentes recentes. Só nos últimos quatro anos, o mesmo cabaz encareceu mais de 35%, o que significa que, nessa altura, era possível comprar exatamente os mesmos produtos por menos 65,73 euros.

Até ao momento, o impacto direto do mau tempo reflete-se sobretudo no preço da curgete, que subiu 29% entre 4 e 11 de fevereiro, passando a custar 3,69 euros. Ainda assim, Nuno Pais de Figueiredo alerta que os efeitos das tempestades no preço dos alimentos “ainda estão para vir” e poderão sentir-se já nos próximos dias.

De acordo com o Jornal de Notícias, as dificuldades no acesso a explorações agrícolas, as estradas cortadas e o aumento dos custos de transporte estão a criar constrangimentos significativos no abastecimento. Os transportadores são obrigados a percorrer distâncias maiores, consumindo mais combustível, enquanto muitos campos agrícolas permanecem alagados e parte da produção foi perdida.

Além disso, a destruição de estufas no Centro e Sul do país poderá obrigar à importação de hortícolas, reduzindo a oferta nacional e pressionando ainda mais os preços pagos pelos consumidores.

Prejuízos elevados na agricultura e pecuária

Os estragos causados pelas tempestades são extensos e afetam praticamente todo o território nacional. Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal, destaca a destruição de cerca de 300 mil hectares de floresta na zona Oeste devido aos ventos fortes da depressão Kristin. Muitas explorações pecuárias ficaram danificadas, com telhados arrancados e sistemas de alimentação destruídos.

Segundo o responsável, também se registaram cheias nas bacias do Mondego, Tejo, Sado e Guadiana, quedas de muros no Douro e parcelas de vinha arrasadas. Uma das associadas da CAP reportou prejuízos superiores a 2,5 milhões de euros.

Pedro Santos, da direção da Confederação Nacional da Agricultura, sublinha que a situação é agravada pela falta de seguros adequados, sobretudo na pequena agricultura, defendendo apoios governamentais rápidos e eficazes para garantir a sobrevivência das explorações afetadas.

Produção de carne de porco fortemente afetada

O setor da suinicultura é um dos mais atingidos. David Neves, presidente da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores, descreve o cenário como “catastrófico”. Muitas explorações ficaram parcial ou totalmente destruídas, sobretudo no concelho de Leiria, onde se concentra cerca de metade das suiniculturas do país.

A falta de energia elétrica e de acessos levou à interrupção dos sistemas automáticos de alimentação e água, obrigando a abates prematuros de animais. Estima-se que mais de 50% da produção nacional de carne de porco tenha sido afetada.

Apesar da gravidade da situação, o setor não antecipa um aumento do preço da carne de porco, uma vez que a Península Ibérica continua a ser excedentária. Ainda assim, David Neves alerta que, sem apoios rápidos e pouco burocráticos, muitas pequenas e médias explorações poderão não conseguir recuperar.

Com a agricultura condicionada, infraestruturas danificadas e custos logísticos mais elevados, o cenário para os consumidores não é animador. Segundo a Deco Proteste, o valor recorde do cabaz alimentar poderá ser apenas o início de uma nova vaga de aumentos, com impacto direto no orçamento das famílias portuguesas nas próximas semanas.

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