O nível de alerta para cheias na bacia do Rio Tejo baixou hoje de vermelho para amarelo, após a descida sustentada dos caudais e o regresso gradual do rio ao seu leito normal, anunciou a Proteção Civil.
“O plano especial de emergência para cheias passou hoje do alerta vermelho para o nível amarelo, face à descida sustentada dos caudais e ao regresso gradual do rio ao seu leito normal. Ainda assim, mantêm-se muitos constrangimentos em estradas e zonas alagadas”, explicou à Lusa o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato.
A decisão de baixar o nível de alerta foi tomada em Comissão Distrital da Proteção Civil de Santarém às 09:00, numa altura em que grande parte do rio já se encontra dentro do leito habitual, permitindo planear a fase de recuperação, embora ainda com muitas zonas alagadas, nomeadamente na Lezíria do Tejo.
Segundo dados do SVARH das 10:00, em Almourol – ponto de referência das descargas das barragens a montante e afluentes – o caudal situava-se nos 2.284 m³/s. As barragens de Castelo de Bode (568 m³/s), Pracana (78 m³/s) e Fratel (1.596 m³/s) totalizavam 2.242 m³/s.
“Não há critérios para se manter no vermelho ou no laranja. O plano vai permanecer no nível amarelo durante alguns dias, porque ainda existem muitos constrangimentos em estradas e zonas completamente alagadas. É uma fase de manutenção, e queremos também alertar a população de que nada está totalmente resolvido e que teremos ainda algumas semanas de recuperação”, explicou Lobato.
Já no domingo, ao final do dia, o comandante antecipava a descida do nível de alerta, salientando que “na parte norte do distrito, o rio já estava praticamente dentro do leito”, faltando apenas normalizar totalmente a sul, na zona da Lezíria.
O responsável lembrou que o plano foi ativado em 24 de janeiro no nível amarelo, sendo elevado diretamente a vermelho em 05 de fevereiro, por precaução, face à previsão de descargas significativas das barragens espanholas e precipitação persistente.
“Ainda que não tenhamos atingido os 10 mil m³/s, pelo princípio da precaução decidimos passar para o nível vermelho. Nessa noite chegámos aos 8.600 m³/s e, na madrugada do dia 06, à 01:00, registámos o pico máximo desta cheia, com 9.057 m³/s em Almourol”, declarou.
Lobato destacou a coordenação entre entidades e o comportamento da população durante o período crítico, sem danos humanos a registar.
“Fizemos tudo o que tínhamos para fazer e atempadamente. Fizemos proteção civil, por assim dizer. Não tivemos casos graves de pessoas feridas ou situações similares”, concluiu.
Com o alerta agora em nível amarelo, as autoridades mantêm vigilância permanente e apelam à prudência, enquanto se inicia a fase de recuperação nas zonas afetadas.














