Marques Mendes ganhou meio milhão em 2023 e é o candidato presidencial com mais rendimentos. Veja os outros casos

Luís Marques Mendes surge como o candidato presidencial com maiores rendimentos e um dos patrimónios mais elevados, segundo declarações consultadas no Tribunal Constitucional e informações prestadas pelos próprios à revista Sábado, que analisou as finanças dos principais candidatos à Presidência da República.

Revista de Imprensa
Outubro 30, 2025
10:01

Luís Marques Mendes surge como o candidato presidencial com maiores rendimentos e um dos patrimónios mais elevados, segundo declarações consultadas no Tribunal Constitucional e informações prestadas pelos próprios à revista Sábado, que analisou as finanças dos principais candidatos à Presidência da República. Em 2023, Mendes obteve cerca de 492 mil euros em rendimentos provenientes do trabalho, da pensão e da sua sociedade familiar.

Grande parte desse valor — cerca de 413 mil euros — teve origem na sua atividade como consultor da Abreu Advogados, onde integra o conselho estratégico da firma e desempenha funções de “trabalho jurídico”. Em 2024, esse rendimento desceu para perto de 296 mil euros. O candidato, que também aufere receitas do comentário televisivo na SIC e de conferências, declarou ainda 30 mil euros pagos pela Atrys Portugal, grupo privado de saúde do qual renunciou ao cargo de presidente da mesa da assembleia-geral.

Marques Mendes, que exerceu advocacia apenas por alguns anos na década de 1980 antes de dedicar duas décadas à política, entrou na Abreu Advogados em 2012. O antigo sócio-gerente da firma, Miguel Castro Pereira, chegou a descrevê-lo como um membro “muito valioso”, com “sensibilidade jurídica” e “capacidade de gestão de dossiês que faz toda a diferença”. No site da sociedade, o candidato surge associado ao “Angolan Desk”. Mendes reconhece que a sua ligação ao setor privado poderá suscitar críticas durante a campanha, dada a interseção entre negócios e política.

Além das remunerações diretas, o candidato social-democrata é sócio da LS2MM, Lda., uma empresa familiar criada em 2014, responsável por faturar receitas provenientes das suas conferências e do comentário televisivo. Mendes detém 35% da sociedade, a mulher outros 35% e o restante pertence aos filhos. A firma, que possui sede na casa da família em Caxias e apenas um funcionário, registou lucros acumulados de mais de 300 mil euros, mas será, segundo o candidato, “dissolvida e liquidada nas próximas semanas”. Mendes estima receber cerca de 105 mil euros brutos da liquidação.

O consultor e político garante que “nunca existiu qualquer otimização fiscal agressiva” e detalhou as despesas de 2024, que incluíram 39 mil euros em custos com pessoal e mais de 53 mil numa avença mensal a um “ex-jornalista de economia” que o auxiliava na preparação de comentários televisivos. Também revelou uma menos-valia de 35 mil euros resultante da venda de uma aplicação financeira.

Com um perfil conservador, Mendes declara não possuir dívidas e mantém cerca de 670 mil euros entre depósitos e aplicações financeiras. As suas opções de investimento incluem depósitos a prazo, certificados de aforro, PPRs e fundos de obrigações geridos pelo Millennium, além de dois imóveis com valor patrimonial tributário conjunto de 475 mil euros.

Cotrim de Figueiredo aposta em risco médio-alto

João Cotrim de Figueiredo, também candidato à Presidência e atual eurodeputado da Iniciativa Liberal, apresenta uma situação financeira sólida e um perfil de investidor arrojado. Recebe cerca de 10.900 euros brutos mensais do Parlamento Europeu, além de ajudas de custo superiores a 5 mil euros. Cotrim detém 50% de uma sociedade de alojamento rural no Alentejo, o Monte da Pedra Torta, gerida pela ex-mulher. Embora a empresa apresente prejuízos, o candidato sublinha que o negócio “não distribui” rendimentos.

O liberal possui uma carteira de investimentos avaliada em 961 mil euros, gerida pelo Millennium bcp com perfil de risco “médio-alto”. “Não me tenho dado mal”, afirmou à Sábado, explicando que delegou integralmente a gestão ao banco. Tem ainda uma participação de 150 mil euros na sociedade de capital de risco FaberVentures e uma dívida hipotecária de 791 mil euros referente à casa própria.

Ventura mantém perfil ultraconservador

André Ventura, líder do Chega, destaca-se pela simplicidade financeira. O seu único rendimento provém do salário de deputado, cerca de 62.700 euros anuais. Mantém o mesmo perfil conservador de 2018, guardando toda a poupança — atualmente 121.858 euros — numa conta à ordem sem rendimento. “Não tenho jeito para investimentos”, admitiu o candidato em declarações anteriores à mesma publicação.

Ventura não tem casa em nome próprio, vivendo com a mulher, Dina Nunes, num T1 no Parque das Nações adquirido por esta antes do casamento.

Gouveia e Melo prefere estabilidade a acumulação

Henrique Gouveia e Melo, antigo chefe do Estado-Maior da Armada, declarou como único rendimento os 115 mil euros anuais auferidos na Marinha. Detém uma conta com cerca de 55 mil euros e dois imóveis — um apartamento em Lisboa e um terreno com casas rústicas em Odemira, exploradas em regime de alojamento local pela ex-mulher. O militar explica que o usufruto do imóvel pertence à mãe, de 90 anos, que recebe os rendimentos. “Mais do que gerar lucros, a propriedade gera despesas de manutenção e investimento”, adiantou.

Seguro e os candidatos à esquerda

António José Seguro, que regressou recentemente à política, não entrega declarações desde 2014. Nessa altura, declarou 46 mil euros de rendimentos como deputado, além de imóveis em Lisboa, Penamacor e Caldas da Rainha. A assessoria do candidato indicou à Sábado que os novos dados financeiros serão entregues em dezembro.

Entre os restantes candidatos à esquerda, António Filipe (PCP) apresenta a situação mais modesta, com um salário de 62 mil euros e sem património imobiliário. Jorge Pinto (Livre) declarou 67 mil euros anuais e 148 mil em poupanças. Já Catarina Martins (BE), eurodeputada, aufere cerca de 11 mil euros mensais brutos e possui uma quota numa sociedade de alojamento local e um crédito hipotecário de 74 mil euros.

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