O Governo nomeou Pedro Folgado, marido da secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Ana Isabel Xavier, para a vice-presidência do Metropolitano de Lisboa, um cargo criado após a elevação da empresa à categoria máxima das empresas públicas. A decisão foi aprovada em Conselho de Ministros a 11 de dezembro de 2025, na sequência de uma proposta conjunta dos ministros das Finanças e das Infraestruturas.
Pedro Folgado, professor do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas e especialista em Defesa e Estratégia, é o primeiro a assumir a função de vice-presidente do Metro de Lisboa. De acordo com a revista ‘Sábado’, a criação do novo cargo resultou da reclassificação da empresa da categoria B para a categoria A, colocando-a no mesmo patamar da CP e da Refer, o que implicou alterações na composição do conselho de administração e um aumento das remunerações.
A nomeação foi justificada pelo Governo com a “especial exigência, complexidade e relevância estratégica” da atividade do Metropolitano de Lisboa para o país, conforme consta do despacho de 25 de novembro assinado por Joaquim Miranda Sarmento e Miguel Pinto Luz. A nova estrutura de gestão passou a integrar um presidente, um vice-presidente e três vogais, todos nomeados por resolução do Conselho de Ministros.
Com esta alteração, os vencimentos dos administradores foram revistos em alta. Em 2024, um vogal do Metro de Lisboa auferia uma remuneração bruta mensal de 5.558 euros, incluindo despesas de representação. Como vice-presidente, Pedro Folgado deverá receber um valor equiparado ao do vice-presidente da CP, cerca de 7.663 euros mensais, segundo a ‘Sábado’.
Percurso político e ligação ao PSD
Antes de chegar à administração do Metro de Lisboa, Pedro Folgado desenvolveu um percurso profissional diversificado, sem ligação direta à área das Infraestruturas. Licenciado em Gestão e Administração Pública, iniciou a carreira no setor privado e construiu depois um trajeto prolongado na administração autárquica e na máquina do Estado.
Foi chefe de divisão na Câmara Municipal de Cascais numa altura em que Miguel Pinto Luz integrava o executivo camarário, tendo passado também por várias juntas de freguesia em Lisboa e pelas câmaras de Cascais e de Penamacor, onde é atualmente deputado municipal pelo PSD. É ainda dirigente do partido na distrital de Castelo Branco.
Ao longo da carreira, desempenhou funções em vários organismos públicos, incluindo o Instituto Português do Desporto e Juventude, o Instituto Nacional de Administração, a AICEP, a Direção-Geral da Administração e do Emprego Público e a Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia. Mais recentemente, exercia funções como professor auxiliar convidado no ISCSP, na área de Defesa e Estratégia, na qual é doutorado.
Questionado sobre o processo de nomeação, o Metropolitano de Lisboa afirmou que as decisões relativas aos órgãos sociais não se inserem na esfera de competência da empresa, remetendo esclarecimentos para o Governo. Os ministérios das Finanças e das Infraestruturas não responderam às questões colocadas.














