A Ferrari anunciou o pagamento de um “premio di competitività” — prémio de competitividade — que pode atingir 14.900 euros por trabalhador, na sequência de um ano de 2025 marcado por receitas e margens entre as mais elevadas do setor automóvel, noticia a ‘L’Automobile Magazine’.
O bónus abrange cerca de 5.000 funcionários em Itália, incluindo operários, técnicos e equipas de apoio. O valor máximo supera o pago no ano anterior, quando o teto se situava nos 14.400 euros.
Para os trabalhadores da divisão de Automóveis Desportivos e Estilo de Vida, o prémio poderá chegar aos 14.900 euros, enquanto os colaboradores da Scuderia Ferrari poderão receber até 14.498 euros. O mecanismo faz parte do acordo assinado em novembro de 2023 e está associado a metas de desempenho e competitividade.
Quatro prestações de 1.300 euros já foram pagas, estando o montante remanescente previsto para a primavera. Tal como em 2025, o programa inclui ainda uma componente de participação acionista: novos colaboradores recebem cerca de 2.000 euros em ações e podem converter até 5.000 euros do bónus em títulos da empresa.
Resultados financeiros sustentam prémio
O anúncio surge poucos dias após a apresentação dos resultados financeiros de 2025. A Ferrari registou receitas superiores a 7,1 mil milhões de euros, um crescimento de 7% face ao ano anterior.
O lucro operacional aumentou 12%, para 2,11 mil milhões de euros, com uma margem operacional próxima de 29,5% — um nível invulgar na indústria automóvel. O lucro líquido atingiu 1,6 mil milhões de euros.
A carteira de encomendas cobre já a produção até ao final de 2027. Para 2026, o grupo aponta para um EBITDA superior a 2,93 mil milhões de euros, um aumento mínimo de 6%. A empresa prevê ainda aumentar a remuneração aos acionistas, distribuindo 40% do lucro líquido em dividendos, acima dos 35% praticados no ano anterior.
Modelo baseado na exclusividade
A Ferrari produz cerca de 13.600 veículos por ano — um volume reduzido face aos grandes fabricantes europeus. Contudo, cada automóvel gera um valor acrescentado significativo. Dividindo o lucro líquido pelas 13.640 entregas anuais, obtém-se um valor superior a 100.000 euros por veículo, ilustrando o nível de rentabilidade do grupo.
Em vez de procurar ganhar quota de mercado, a marca privilegia o controlo rigoroso de volumes, a proteção de preços e a preservação da exclusividade. Esta disciplina industrial contribui para que a Ferrari seja frequentemente avaliada em bolsa mais como uma marca de luxo do que como um fabricante automóvel tradicional.
O anúncio do prémio surge também dias depois da apresentação do cockpit do futuro Ferrari Luce elétrico, o primeiro modelo 100% elétrico da marca. Apesar do debate gerado em torno do design, os indicadores financeiros continuam a confirmar a robustez do modelo de negócio de Maranello.


















