Margem Sul vai ser reforçada com três ambulâncias de socorro este fim de semana

A contratualização de mais ambulâncias foi solicitada pelo INEM na quinta-feira, depois de a demora no socorro ter sido associada a três mortes

Francisco Laranjeira
Janeiro 10, 2026
8:30

A Margem Sul do Tejo vai contar com um reforço de ambulâncias de socorro já a partir deste fim de semana, na sequência da contratação de mais viaturas aos bombeiros pelo Instituto Nacional de Emergência Médica. A garantia foi deixada pela Liga dos Bombeiros Portugueses, que assegura que o reforço pode ser operacionalizado “de um dia para o outro”, avançou o jornal ‘Expresso’.

De acordo com o vice-presidente da Liga, Eduardo Correia, as disponibilidades imediatas estão a ser identificadas e permitirão aumentar os postos de emergência médica até sábado. A primeira ambulância adicional entrou ao serviço ainda esta sexta-feira de manhã, a partir da Trafaria, no concelho de Almada, estando previstas mais duas viaturas para a região ao longo do fim de semana.

A contratualização de mais ambulâncias foi solicitada pelo INEM na quinta-feira, depois de a demora no socorro ter sido associada a três mortes. A situação veio expor a falta de renovação do protocolo nacional que, no inverno passado, permitiu reforçar o dispositivo com até 100 ambulâncias em todo o país durante a época gripal.

Segundo a Liga dos Bombeiros Portugueses, o protocolo não foi reeditado apesar dos alertas deixados ao Governo. “Avisámos várias vezes a ministra da Saúde e o diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde. Nada foi feito”, afirmou Eduardo Correia ao Expresso.

Governo desbloqueia compra de viaturas e camas intermédias

No mesmo dia, o primeiro-ministro anunciou no Parlamento a compra de 275 viaturas para o INEM e a criação de 400 a 500 camas em unidades intermédias para doentes sociais hospitalizados. Medidas que estavam há meses por concretizar e que, segundo o presidente do INEM, Luís Cabral, resultam de uma pressão constante exercida pela direção do instituto.

Sem um protocolo nacional em vigor, o INEM pediu, a 15 de dezembro, seis ambulâncias sazonais para a Margem Sul e oito para Lisboa. Ainda assim, a resposta revelou-se insuficiente face ao volume de pedidos. Luís Cabral aponta como principal constrangimento a retenção das ambulâncias nos hospitais, à espera da devolução das macas, o que limita a disponibilidade operacional.

Falhas estruturais e necessidade de mais meios no pico da gripe

Os casos fatais registados esta semana, com ambulâncias de corporações da linha de Cascais a atravessarem o Tejo para prestar socorro, tornaram evidentes as fragilidades do sistema de emergência médica. Para o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, continuam a faltar soluções para os doentes que permanecem nas urgências sem internamento, sublinhando que as macas dos bombeiros acabam muitas vezes por ser usadas como camas hospitalares.

De acordo com os cálculos da Liga, entre 25 e 30 ambulâncias adicionais seriam necessárias a nível nacional durante o atual pico de gripe. Um reforço com um custo estimado de 125 mil euros por mês. O protocolo aplicado entre dezembro de 2024 e outubro de 2025 representou uma despesa total de cerca de quatro milhões de euros para o Estado.

Atualmente, a Península de Setúbal dispõe de mais de 60 ambulâncias asseguradas pelas corporações de bombeiros, num universo superior a 1.700 viaturas em todo o país. A expectativa da Liga é que o reforço agora anunciado se traduza num aumento permanente da frota nos próximos meses, complementando o esforço que tem vindo a ser feito pelos bombeiros na região.

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