Uma marcha silenciosa promovida pela Associação Dinamarquesa de Veteranos reúne este sábado antigos militares e apoiantes em Copenhaga, num protesto contra declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, consideradas ofensivas para o papel da Dinamarca e de outros aliados da NATO na guerra do Afeganistão. A iniciativa surge num contexto de crescente tensão diplomática entre Washington e Copenhaga e dias depois de um incidente envolvendo a embaixada norte-americana na capital dinamarquesa.
O protesto foi desencadeado após a remoção, por funcionários da embaixada dos Estados Unidos em Copenhaga, de 44 bandeiras dinamarquesas colocadas por ativistas junto ao perímetro da missão diplomática. Cada bandeira simbolizava um dos soldados dinamarqueses mortos durante o conflito no Afeganistão.
As bandeiras tinham sido colocadas em floreiras junto aos muros da embaixada na manhã de terça-feira, como forma de homenagem silenciosa. A sua retirada rápida foi classificada por associações de veteranos como um gesto de “desrespeito”, aprofundando o mal-estar já existente entre antigos combatentes dinamarqueses e a administração norte-americana.
Um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que falou sob condição de anonimato, rejeitou que a remoção das bandeiras tivesse qualquer intenção hostil. Segundo explicou, trata-se de um procedimento normal de segurança, uma vez que cartazes, faixas ou objetos deixados por manifestantes são habitualmente retirados no final de cada turno.
De acordo com o mesmo responsável, os funcionários da embaixada “não tinham conhecimento do significado das bandeiras”, sublinhando que a homenagem não tinha sido previamente articulada com a missão diplomática. As bandeiras acabaram por ser devolvidas aos ativistas, tendo sido posteriormente permitida a colocação de novos exemplares no local.
O episódio ocorre poucos dias depois de Donald Trump ter minimizado publicamente o contributo dos aliados da NATO numa entrevista ao canal Fox Business. O Presidente norte-americano afirmou que os Estados Unidos “nunca precisaram” dos aliados e que “nunca pediram realmente nada” aos restantes países da Aliança Atlântica.
Trump acrescentou ainda que, apesar de alguns Estados terem enviado tropas para o Afeganistão, estas “ficaram um pouco afastadas, um pouco fora das linhas da frente”, declarações que provocaram forte contestação na Dinamarca.
O país escandinavo registou uma das mais elevadas taxas de baixas militares per capita entre os membros da NATO durante a missão internacional no Afeganistão, um dado frequentemente sublinhado pelas associações de veteranos e por responsáveis políticos dinamarqueses.














