Lisboa recebe esta tarde, às 15h30, a Marcha pela Palestina: a iniciativa, que parte do Rossio em direção ao Largo José Saramago (Campo das Cebolas), é organizada pela PUSP – Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina, pela Amnistia Internacional Portugal, pela Greenpeace Portugal, pela Médicos sem Fronteiras e pela Fundação José Saramago.
“Assentes em décadas de ocupação e de apartheid, os últimos dois anos viram o povo palestiniano tornar-se vítima de uma agressão genocida, sofrendo as consequências desumanas de ver a sua vida reduzida a ruínas e os seus direitos fundamentais sistematicamente violados. A impunidade do Estado de Israel e o sofrimento atroz do povo palestiniano não podem continuar – é um imperativo de humanidade. Com esta iniciativa, as entidades co-organizadoras afirmam que a paz só é possível com justiça: exigem o fim do genocídio, do regime de apartheid e da ocupação da Palestina, o levantamento imediato do bloqueio ilegal imposto a Gaza e a pronta entrada de ajuda humanitária sem quaisquer restrições, bem como a responsabilização pelos crimes cometidos”, indicaram, em comunicado conjunto, as entidades organizadoras.
“O percurso da Marcha pela Palestina termina, simbolicamente, junto à oliveira do Largo José Saramago, onde será lido o manifesto desta iniciativa e terão lugar várias intervenções e momentos artísticos. O encerramento começará com leituras de poemas palestinianos por Susana Travassos, cantora, seguidas de intervenções de Alexandra Lucas Coelho, escritora; Rita Costa, enfermeira dos Médicos Sem Fronteiras com experiência na Faixa de Gaza; Sofia Aparício, em representação da delegação portuguesa na flotilha humanitária Global Sumud Flotilla; e Dima Mohammed, académica e ativista luso-palestiniana. O momento final será a leitura do manifesto por Jonatan Benebgui, ativista do coletivo Judeus pela Paz e Justiça – Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina, em representação das organizações promotoras da Marcha”, reforçaram.
“O cessar-fogo exige de todos nós um alerta permanente sobre o futuro da Palestina: as hostilidades devem parar de facto e o bloqueio deve ser totalmente levantado. Para que qualquer acordo seja duradouro e bem-sucedido, ele tem de estar firmemente enraizado no respeito pelos direitos humanos e pelo direito internacional e deve incluir o fim imediato do genocídio de Israel contra os palestinianos em Gaza, acabar com a ocupação ilegal de todo o Território Palestiniano Ocupado e desmantelar o sistema de apartheid”, indicou o diretor-geral da Amnistia Internacional Portugal, João Godinho Martins.
“Um dia se fará a história do povo palestino e ela será um monumento à indignidade e cobardia dos povos», afirmava José Saramago em 2007. Hoje, passados 18 anos, e uma vez mais, saímos à rua para exigir o fim do genocídio, dignidade para o povo da Palestina, a paz!, apontou o diretor-executivo da Fundação José Saramago, Sérgio Machado Letria.
“A Greenpeace alerta que a violência em Gaza destrói vidas e o meio ambiente. Bombardeamentos e bloqueios causam devastação ecológica e agravam a falta de água, alimentos e energia. Justiça climática e social são inseparáveis: proteger o ambiente é também defender a vida e a dignidade do povo palestiniano”, referiu o diretor da Greenpeace Portugal, Toni Melajoky Roseiro.
“O que as equipas da Médicos Sem Fronteiras têm visto na Faixa de Gaza é um genocídio. Se os palestinianos não estão a ser assassinados por bombardeamentos, estão a ser assassinados pela falta de alimentos e água ou pela escassez de provisões médicas nos hospitais, os quais são também implacavelmente atacados. É urgentemente necessária uma solução duradoura que restaure e mantenha, de uma vez por todas, a dignidade do povo palestiniano”, concluiu o diretor-geral da Médicos Sem Fronteiras Portugal, João Antunes.
“As palavras do pensador Palestino Edward Said, escritas há quase meio século (no livro The Question of Palestine, 1979), continuam a ressoar com uma atualidade dolorosa: “A paz não pode nascer da aceitação da injustiça; só pode assentar na restauração dos direitos.” – Dima Mohammed, da Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina.














