Cada vez mais pessoas estão a cortar nos açúcares ingeridos por várias razões de saúde, mas a indústria alimentar está a trabalhar ‘nos bastidores’ para dar aos consumidores a dose diária de doces, substituindo o açúcar em vários alimentos por ‘falsos açúcares’ como a sucralose, a stevia, a alulose, o eritritol e outros adoçantes artificiais e substitutos do açúcar.
Adoçantes baixos em calorias têm sido usados em refrigerantes ao longo de várias décadas mas, a pouco e pouco, várias empresas estão a adicioná-los a alimentos como pão, iogurtes, papas de aveia, bolos, sopas embaladas, molhos, condimentos, barras energéticas e snacks de vários tipos.
A indústria alimentar aponta que os substitutos do açúcar ajudam os consumidores a manter o peso e a reduzir o consumo de açúcares adicionados, mas vários estudos mostram que os ‘falsos açúcares’ podem ter efeitos inesperados no sistema digestivo, no metabolismo, ou até ajudar a promover os desejos ‘incontroláveis’ por determinados alimentos e mesmo a criar resistência à insulina, percursor da diabetes tipo 2.
Muitos substitutos do açúcar são conhecidos como adoçantes de alta-intensidade por serem centenas de vezes mais doces do que o açúcar (alguns chegam a ser até 700 vezes mais fortes). Uns são sintéticos, como a sucralose, o aspartame ou a sacarina, enquanto outros como a alulose, a stevia ou o extrato de fruta-dos-monges, são referidos como sendo “naturais” porque são derivados de plantas.
Muitas vezes, estes substitutos podem ser encontrados na lista de ingredientes com nomes que o consumidor comum não reconhece, como adventame, neotame, ou acessulfame de potássio (acessulfame k). Alimentos com o selo de “sem adoçantes artificiais” são muitas vezes adoçados com stevia e outros substitutos do açúcar ditos “naturais”.
Como é que estes ‘falsos açúcares’ afetam a saúde?
Durante anos os cientistas acreditavam que os adoçantes não-nutritivos eram largamente inertes, ou sejam ativavam os recetores do sabor doce na língua e passavam pelo corpo sem originar mudanças metabólicas. Agora, a investigação tem vindo a mostrar que os efeitos de consumo de grandes quantidades destes ingredientes não são assim tão inofensivos.
A OMS já alertou para que seja limitado o consumo de substitutos do açúcar, devido ao potencial de “efeitos indesejados” a longo-termo, incluindo reações no aparelho digestivo (em particular nos intestinos) e na saúde metabólica.
Um estudo liderado por Jonathan Suez, professor na Escola Johns Hopkins Bloomberg de Saúde Pública, citado pelo Washington Post, apurou que aspartame, sacarina, stevia e sucralose, mesmo em quantidades abaixo das recomendadas pelas autoridades de saúde e reguladores internacionais, causavam alterações na função e composição dos microbiomas do intestino, ou seja, afetavam a comunidade de bactérias, vírus e fungos que viviem nessa parte do sistema digestivo, e que têm várias funções importantes, uma das quais transformas os alimentos que ingerimos em enzimas, hormonas e vitaminas.
A sacarina e stevia agravavam também o controlo de níveis de açúcar do sangue dos participantes, observou-se.
Outros estudos mostram que bebidas com sucralose ajudam a promover a resistência à insulina, que pode resultar no desenvolvimento de diabetes tipo 2.
O cientistas apuraram que os adoçantes têm efeito no cérebro, porque ao ativarem os recetores de doce língua, é enviada um sinal de que um fluxo de calorias está a caminho. Como estes ‘falsos açúcares’ são mais potentes do que a sacarose normal, mas com poucas ou nenhumas calorias, isso pode confundir o cérebro e os recetores do paladar. Uma das consequências é desenvolver maiores apetites por doces e alimentos adocicados.
Para além disso, alguns adoçantes podem causar desconforto gastrointestinal quando consumidos em grandes quantidades.
Outro estudo, publicado na revista científica BMJ, apurou que grande consumo de adoçantes artificiais aumenta o risco de problemas cardiovasculares, como enfartes e ataques cardíacos.
Então o que devemos fazer?
Os especialistas são unânimes em defender que consumir muito açúcar faz mal à saúde, mas Suez sustenta que também devemos manter cuidados em substituir os alimentos com açúcar por outros com adoçantes, sejam eles ‘naturais’ ou artificiais.
Assim há três conselhos a seguir:
– Consumir qualquer tipo de adoçante baixo em calorias com moderação
– Ter muita atenção aos rótulos dos alimentos e analisar a composição e lista de ingredientes
– Reduzir o consumo de produtos alimentares altamente processados, que têm tendência a conter adoçantes e outro tipo de aditivos














