Mais de um terço dos trabalhadores ganha até ao novo salário mínimo de 920 euros

Cerca de 1,5 milhões de trabalhadores em Portugal recebem uma remuneração-base até 920 euros brutos por mês, valor que passará a corresponder ao novo salário mínimo nacional a partir de janeiro, após um aumento de 5,7% face aos atuais 870 euros.

Revista de Imprensa
Dezembro 30, 2025
9:17

Cerca de 1,5 milhões de trabalhadores em Portugal recebem uma remuneração-base até 920 euros brutos por mês, valor que passará a corresponder ao novo salário mínimo nacional a partir de janeiro, após um aumento de 5,7% face aos atuais 870 euros. Os dados mais recentes da Segurança Social mostram que mais de um terço dos trabalhadores por conta de outrem se encontra neste patamar salarial, evidenciando o peso significativo das remunerações mais baixas na estrutura salarial portuguesa.

Segundo dados oficiais solicitados pelo Negócios ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, no segundo trimestre de 2025 — o período mais recente com informação disponível — cerca de 20,5% dos trabalhadores, mais de 870 mil pessoas, auferiam exatamente a retribuição mínima mensal garantida, enquanto menos de 15%, abaixo de 640 mil trabalhadores, recebiam um salário-base superior ao mínimo em vigor mas ainda até ao limite dos 920 euros, que será aplicado a partir de janeiro.

No total, conclui-se que cerca de 1,5 milhões de trabalhadores, o equivalente a aproximadamente 35% do universo de trabalhadores dependentes, tinham uma remuneração-base igual ou inferior ao futuro salário mínimo. A mesma fonte oficial esclarece que o número de trabalhadores a receber exatamente 920 euros é residual, estando a esmagadora maioria abaixo desse valor, embora os dados não permitam uma desagregação exata entre quem ganha o salário mínimo atual e quem se situa imediatamente acima.

Apesar das sucessivas atualizações do salário mínimo nos últimos anos, o peso dos trabalhadores abrangidos por este valor mantém-se relativamente estável. Em 2024 e 2025, cerca de um em cada seis trabalhadores recebeu uma remuneração superior ao salário mínimo do respetivo ano, mas ainda próxima do valor que viria a vigorar no ano seguinte, sem que isso se traduzisse num aumento significativo do peso do salário mínimo no emprego total. Em 2023, essa proporção situou-se nos 20,5% e, em 2024, subiu ligeiramente para 20,7%, antes de voltar a descer para 20,5% no segundo trimestre de 2025.

O Ministério do Trabalho sublinha ainda que estes dados, apurados pelo Instituto de Informática da Segurança Social, incluem situações de trabalho a tempo parcial, uma vez que o cálculo é feito com base na remuneração média diária multiplicada por 30 dias. Na administração pública, a base remuneratória coincidiu com o salário mínimo entre 2021 e 2022, mas passou a situar-se ligeiramente acima a partir de 2023, ano em que se verificou uma redução do peso percentual dos trabalhadores abrangidos pela remuneração mínima no conjunto do emprego.

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