Três figuras centrais de uma operação internacional de tráfico de cocaína, desmantelada pela Polícia Judiciária em 2023, desapareceram após terem sido libertadas da prisão preventiva em Portugal. Entre elas está Gabriel Carvalho, apontado como cabecilha do Primeiro Comando da Capital, o PCC, considerado um dos mais poderosos cartéis brasileiros. Meses depois, ninguém sabe onde estão.
De acordo com a revista ‘SÁBADO’, Gabriel Carvalho chegou a Lisboa em fevereiro de 2023 para coordenar, a partir de um hotel da capital, o envio de uma tonelada de cocaína da América do Sul para o centro da Europa, utilizando Portugal como ponto de entrada. A droga teria origem no Brasil, seria transbordada ao largo de Cabo Verde para uma traineira e seguiria depois até ao Algarve, onde seria transportada por terra por um camionista ligado à chamada Máfia dos Balcãs.
A operação acabou por ser interrompida pela Polícia Judiciária, que deteve seis suspeitos, incluindo Gabriel Carvalho. No despacho de acusação do Ministério Público, o brasileiro surge como alguém que se “gabava de ter uma posição de chefia na hierarquia do cartel”.
Quando o julgamento teve início no Tribunal de Portimão, a 5 de setembro deste ano, Gabriel Carvalho encontrava-se em prisão preventiva. Dez dias depois, foi libertado por ter sido ultrapassado o prazo máximo dessa medida de coação, apesar de o processo estar classificado como de especial complexidade. Desde então, nunca mais foi visto.
O mesmo aconteceu com Fabrício Baía, de 29 anos, descrito na acusação como um sicário do PCC, responsável por garantir a segurança do transporte marítimo da droga e autorizado a executar quem tentasse comprometer a operação. Também ele foi libertado e não compareceu em tribunal.
A lista de desaparecidos inclui ainda Igor Jakovina, cidadão esloveno identificado como o camionista encarregado de transportar a cocaína de Portugal para o centro da Europa. Os três faltaram ao julgamento sem qualquer justificação e o tribunal limitou-se a aplicar uma multa de duas Unidades de Conta a cada arguido.
Fuga com identidades falsas
Uma fonte da Unidade de Combate ao Narcotráfico da Polícia Judiciária admitiu à revista semanal que os suspeitos terão abandonado o país recorrendo a identidades falsas. É, segundo a mesma fonte, o cenário mais provável. O paradeiro dos três continua desconhecido.
Apesar da ausência dos principais arguidos, o julgamento prosseguiu com a audição de outros suspeitos e de inspetores da Polícia Judiciária envolvidos na investigação, que recorreram a um agente infiltrado para acompanhar toda a operação desde a preparação do transporte marítimo até ao carregamento final da droga num camião TIR no Algarve.
Mandados só após trânsito em julgado
A situação levanta sérias dificuldades às autoridades, uma vez que, como explica a mesma fonte policial, os mandados de detenção, eventualmente com alcance internacional, só poderão ser emitidos após o trânsito em julgado do processo. Até lá, os três arguidos permanecem em fuga, sem localização conhecida.
O organizador da operação, o sicário encarregado de garantir o sucesso do transporte e o camionista responsável por levar a droga para fora de Portugal desapareceram depois de terem estado sob custódia do Estado português. Um ano depois da operação policial, continuam fora do alcance da justiça e sem rasto conhecido.














