Irão. Ucrânia pode fornecer drones para defender aliados dos EUA no Médio Oriente

As conversações iniciais estão a decorrer ao nível governamental e ainda não envolvem empresas privadas. Em discussão estão sistemas tecnológicos concebidos pela Ucrânia para detetar drones inimigos e interferir nos seus sinais de comunicação, permitindo neutralizá-los antes de atingirem os alvos

Francisco Laranjeira

Os Estados Unidos e o Qatar estão em negociações com a Ucrânia para a eventual aquisição de drones intercetores desenvolvidos por Kiev, capazes de abater drones Shahed de origem iraniana. A informação foi avançada pelo ‘Kyiv Post’, citando dados divulgados pela agência ‘Reuters’ e fontes próximas do processo.

As conversações iniciais estão a decorrer ao nível governamental e ainda não envolvem empresas privadas. Em discussão estão sistemas tecnológicos concebidos pela Ucrânia para detetar drones inimigos e interferir nos seus sinais de comunicação, permitindo neutralizá-los antes de atingirem os alvos.

As conversações refletem o crescente interesse internacional nas soluções ucranianas de defesa contra drones, desenvolvidas ao longo da guerra com a Rússia.

O próprio presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou recentemente que os Estados Unidos solicitaram ajuda a Kiev para lidar com os drones Shahed utilizados em ataques no Médio Oriente. Citado pelo ‘Kyiv Post’, o chefe de Estado disse ter dado instruções para que os recursos necessários sejam disponibilizados e para que especialistas ucranianos participem no esforço de reforço da segurança, sem revelar detalhes adicionais sobre o possível uso de drones intercetores.

Zelensky indicou também que outros países da região manifestaram interesse em tecnologias semelhantes. No entanto, sublinhou que qualquer acordo internacional só avançará se não comprometer a capacidade da Ucrânia de se defender da invasão russa.

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Fontes diplomáticas citadas pelo ‘Kyiv Post’ indicam que uma delegação ucraniana viajou recentemente para Doha para reuniões com autoridades do Qatar, com o objetivo de partilhar experiência no combate a drones. A mesma fonte revelou que representantes ucranianos estiveram igualmente em Abu Dhabi para encontros semelhantes.

O interesse na tecnologia de Kiev surge num momento de forte escalada militar no Médio Oriente. O Irão lançou centenas de mísseis e drones contra países do Golfo após uma campanha aérea conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos iranianos. A maioria desses ataques foi intercetada com sistemas de defesa aérea Patriot PAC-3 de fabrico americano, utilizados também pela Ucrânia para proteger infraestruturas energéticas e militares de ataques russos.

Apesar da eficácia desses sistemas, o seu custo elevado tem levado os aliados dos EUA a procurar alternativas mais baratas. Cada míssil de defesa aérea pode custar milhões de dólares, enquanto a Ucrânia desenvolveu soluções significativamente mais económicas para neutralizar drones kamikaze Shahed.

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Durante os quatro anos de guerra com a Rússia, Kiev aperfeiçoou métodos de defesa contra estes drones de fabrico iraniano, utilizados de forma intensiva por Moscovo. Segundo dados citados pelo ‘Kyiv Post’, apenas neste inverno a Rússia lançou cerca de 19 mil drones de longo alcance contra território ucraniano, sendo a maioria abatida pelas defesas do país.

Ao mesmo tempo, as autoridades ucranianas procuram controlar a exportação de tecnologia militar. Após o início do conflito envolvendo o Irão, o serviço de segurança ucraniano alertou empresas do país para não venderem armas a países do Médio Oriente sem autorização do Governo.

Entretanto, Zelensky revelou ter mantido conversas recentes com líderes dos Emirados Árabes Unidos, do Qatar, do Bahrain, da Jordânia e do Kuwait, embora sem divulgar pormenores sobre os temas discutidos.

A pressão sobre as defesas aéreas na região continua elevada. Desde o início do conflito com o Irão, os Estados Unidos e os seus aliados do Golfo já utilizaram centenas de mísseis de defesa aérea para intercetar ataques, o que tem aumentado o interesse em soluções mais baratas e tecnologicamente adaptadas à guerra moderna contra drones.

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