A Mercer, uma empresa do Grupo Marsh McLennan e líder global em consultoria de pessoas e investimentos, e o CFA Institute, associação global de profissionais de investimento, divulgaram esta quarta-feira a 17ª edição anual do Índice Mundial de Pensões (MCGPI).
Os sistemas de pensões dos Países Baixos, da Islândia, da Dinamarca e de Israel mantêm a classificação A em 2025. Pela primeira vez, Singapura recebe também a classificação A, sendo o único país da Ásia a alcançá-la.
Portugal ocupa a 25ª posição (uma descida de três lugares face a 2024), tendo obtido a sétima classificação mais baixa no subíndice ‘Sustentabilidade’, com uma pontuação de apenas 36,4 neste parâmetro. Ainda assim, com uma pontuação global de 67,6, registou as quinta e nona classificações mais elevadas nos subíndices ‘Adequação’ (83,7) e ‘Integridade’ (85,4), respetivamente.
O índice atribuiu ao sistema de pensões português a nota geral B, o que indica que dispõe de uma estrutura sólida, com diversas características positivas, embora ainda existam algumas áreas a melhorar.
Num contexto de crescente incerteza global, o crescimento e a dimensão dos ativos dos fundos de pensões estão a levar cada vez mais os Governos a adotarem medidas. O índice deste ano aborda a questão de como as intervenções governamentais podem ter consequências não previstas e sugere oito princípios sobre como os governos podem equilibrar, da melhor forma, os interesses dos participantes de planos de pensões privados com as prioridades nacionais.
“À medida que as pessoas vivem mais tempo e os mercados de trabalho mudam, os Governos enfrentam pressão para adaptar os sistemas de pensões”, comentou Cristina Duarte, Principal da Mercer. “No entanto, a reforma das pensões nunca é simples. É essencial avaliar os possíveis resultados e é por isso que as empresas, Governos e gestores de pensões devem ter uma palavra a dizer na definição de sistemas de pensões mais resilientes.”
“As regulamentações e as ações governamentais, desde as políticas fiscais até às regras de investimento, plasmam profundamente a forma como os fundos de pensões funcionam”, destacou Margaret Franklin, CFA, Presidente e CEO do CFA Institute.
“A comunidade profissional de investimentos deve proteger-se contra as consequências não previstas que podem surgir quando mandatos ou restrições distorcem o sistema. Como o índice deixa claro, o objetivo central das pensões deve continuar a ser garantir o rendimento na reforma, guiado, acima de tudo, pelo dever fiduciário. Os sistemas de pensões funcionam melhor quando equilibram a inovação e as prioridades governamentais com a responsabilidade duradoura de servir os interesses dos investidores finais.”
Mandatos governamentais vs. colaboração
Há muito que os Governos dos países em todo o mundo intervêm na definição da forma como os fundos de pensões privados investem, impondo diretrizes para proteger os reformados ou incentivando o setor das pensões a apoiar objetivos económicos.
Países como o Reino Unido, o Canadá, a Austrália e a Malásia têm incentivado recentemente os fundos de pensões a apoiar infraestruturas e inovação a nível interno. Entretanto, noutros países continuam os debates sobre se os fundos de pensões devem ser obrigados a considerar fatores ambientais, sociais e de governação, em vez de se concentrarem exclusivamente no desempenho financeiro no que diz respeito às decisões de investimento.
“Os sistemas de pensões sem restrições ou com restrições limitadas tendem a ter um melhor desempenho no índice”, salientou Cristina Duarte, Principal da Mercer. “Isto sugere que, em vez de impor regras, os Governos podem concentrar-se em tornar as opções de investimento atraentes, promover a transparência e a boa governação e fomentar a colaboração com o setor privado para apoiar sistemas de reforma sustentáveis e o crescimento económico.”
Rendimentos de reforma melhoram à escala global
Os países que alcançaram pontuações no índice superiores a 80 receberam a classificação A. Esses países oferecem um sistema de rendimento de reforma robusto, que proporciona bons benefícios, sustentável e com um elevado nível de integridade.
O índice utiliza a média ponderada dos subíndices de Adequação, Sustentabilidade e Integridade. Para cada subíndice, os sistemas com os valores mais elevados foram: o Kuwait para Adequação, a Islândia para Sustentabilidade e a Finlândia para integridade.
Oito sistemas de rendimento de reforma melhoraram a sua classificação no índice este ano, e nenhum sistema sofreu uma descida. Isto demonstra que os rendimentos de reforma estão a melhorar à escala global – um resultado extremamente importante, uma vez que as pessoas vivem mais tempo e as taxas de natalidade continuam a diminuir.















